O início da colheita da segunda safra de milho em Mato Grosso e no Paraná já começa a impactar o mercado brasileiro, provocando queda nas cotações do cereal em diversas regiões produtoras. Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a ausência de compradores no mercado spot e a expectativa de aumento da oferta nas próximas semanas têm pressionado os preços para baixo.
De acordo com os pesquisadores, mesmo com a colheita ainda em estágio inicial, agentes do mercado já projetam uma entrada mais intensa de produto a partir da segunda quinzena de junho. Diante desse cenário, muitos compradores optam por adiar negociações na expectativa de encontrar preços ainda menores, reduzindo a liquidez no mercado interno.
Os reflexos já podem ser observados em importantes regiões produtoras. Em Sorriso, um dos principais polos agrícolas de Mato Grosso, a média parcial dos preços registrada em maio ficou 11% abaixo da observada no mesmo período da safra anterior. No Norte do Paraná, a redução foi de 8%, reforçando a tendência de desvalorização diante da perspectiva de maior oferta.
Além do cenário interno, fatores internacionais também contribuem para a pressão sobre os preços. O avanço da semeadura da safra norte-americana e o comportamento dos contratos futuros do milho nos mercados internacionais têm limitado a sustentação das cotações brasileiras e reduzido a competitividade das exportações.
Apesar da queda dos preços, a expectativa para a produção segue positiva. Mato Grosso, maior produtor nacional de milho, iniciou a colheita da safra 2025/26 em ritmo superior ao registrado no ano passado. A previsão é que os trabalhos avancem significativamente ao longo de junho, consolidando mais uma grande safra para o estado.













