Os Estados Unidos elevaram a pressão comercial sobre o Brasil após a conclusão de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR). O órgão recomendou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos brasileiros, alegando a existência de práticas consideradas “irrazoáveis” ou discriminatórias contra empresas americanas. A proposta foi anunciada entre os dias 1º e 2 de junho de 2026 e ainda está em fase de consulta pública, sem implementação imediata.
Um dos principais pontos da investigação é o PIX, sistema de pagamentos instantâneos criado e operado pelo Banco Central do Brasil. Segundo o relatório americano, o Banco Central atuaria simultaneamente como regulador e operador do sistema, criando condições que favoreceriam o PIX em relação a plataformas privadas de pagamento. Entre os aspectos citados estão a gratuidade para pessoas físicas, limites para cobranças de tarifas e a obrigatoriedade de destaque do sistema nos aplicativos das instituições financeiras, medidas que, na avaliação do USTR, poderiam prejudicar empresas estrangeiras do setor de pagamentos digitais.
Além do PIX, a investigação aborda outros temas relacionados ao comércio bilateral, como o acesso ao mercado de etanol, questões ligadas ao desmatamento ilegal, proteção à propriedade intelectual, aplicação de normas anticorrupção e regimes tarifários considerados preferenciais. Apesar da proposta de ampliação das tarifas, alguns produtos brasileiros poderão permanecer parcialmente isentos das novas cobranças, incluindo determinadas categorias de café, carne e suco de laranja.
A iniciativa ocorre em um momento de aumento das tensões comerciais entre Brasília e Washington. A medida foi adotada no contexto da legislação comercial americana conhecida como Seção 301, instrumento utilizado pelos Estados Unidos para investigar práticas consideradas prejudiciais ao comércio do país. Caso a proposta avance após o período de comentários públicos, diversos setores exportadores brasileiros poderão ser impactados pelas novas tarifas.
Em resposta às críticas, o Itamaraty e o Banco Central defenderam o PIX, afirmando que o sistema segue padrões internacionais de pagamentos instantâneos adotados por diversos países e que sua estrutura não promove discriminação contra empresas estrangeiras. As autoridades brasileiras sustentam que o modelo ampliou a inclusão financeira, reduziu custos para consumidores e empresas e aumentou a eficiência das transações eletrônicas no país.
Especialistas avaliam que eventuais tarifas poderão gerar efeitos sobre segmentos da indústria, do agronegócio e da mineração, embora o impacto final dependa da lista definitiva de produtos atingidos e do resultado das negociações entre os dois países. Enquanto isso, o governo brasileiro acompanha o processo e deverá intensificar o diálogo diplomático e comercial nas próximas semanas, em busca de uma solução para o impasse.













