Uma série de alterações normativas do INSS, ocorridas nos últimos meses do governo Bolsonaro, beneficiou diretamente o cartão Credcesta, ligado ao Banco Master, segundo reportagem da Folha de S.Paulo publicada em 4 de abril de 2026 por Vinicius Sassine. A análise mostra que, em um intervalo de apenas 16 dias entre um ofício do banco e a publicação da instrução detalhando a norma, o produto ganhou um marco legal que permitiu sua operação junto a aposentados, pensionistas e beneficiários do BPC.
O processo começou em 25 de março de 2022, quando o presidente do INSS, José Carlos Oliveira, assinou a Instrução Normativa PRES/INSS nº 131, permitindo operações de “cartão consignado de benefício”. No entanto, a norma ainda não detalhava o funcionamento. Em 7 de junho, o Banco Master enviou um ofício ao INSS solicitando aditamento ao acordo de cooperação técnica, já vigente desde 2020, para incluir o Credcesta. Apenas 16 dias depois, em 23 de junho, uma nova instrução normativa detalhando o funcionamento do cartão foi publicada, assinada por Larissa Mora, presidente substituta e servidora de carreira. O aditivo ao acordo foi formalizado em 13 de julho de 2022, permitindo que o cartão operasse em larga escala.
O impacto foi expressivo: contratos do Credcesta saltaram de cerca de 105 mil em 2022 para 2,75 milhões em 2024, representando crescimento superior a 2.500%. O cartão se tornou o principal motor de crescimento do Banco Master até sua liquidação pelo Banco Central em novembro de 2025, após rombos, fraudes em consignados e prejuízos a fundos de pensão. O sócio do banco, Daniel Vorcaro, foi preso e negocia delação.
Embora o timing da mudança levante questionamentos sobre captura regulatória, a reportagem não apresenta prova de interferência política direta ou propina. José Carlos Oliveira descreveu o processo como “mecânico”, e o banco foi o primeiro a usar a nova norma. Atualmente, o INSS da gestão Lula considera a operação irregular, cancelando contratos, bloqueando novos descontos e investigando mais de 250 mil contratos suspeitos de fraude. O caso segue sob investigação da Polícia Federal, da CPMI do INSS e da Justiça.













