A ex‑ginasta olímpica Laís Souza viveu um encontro marcante na última terça‑feira, 17 de fevereiro de 2026, quando conheceu pessoalmente Bruno Drummond de Freitas, o primeiro paciente tetraplégico a apresentar recuperação funcional significativa após receber um tratamento experimental com polilaminina, substância brasileira desenvolvida para lesões da medula espinhal. O momento foi compartilhado nas redes sociais por Laís, que se emocionou ao acompanhar a trajetória de Bruno, que hoje exibe independência motora e participação em atividades cotidianas.
Bruno ficou tetraplégico após um grave acidente de carro em abril de 2018, em que sofreu fraturas na coluna vertebral e perdeu os movimentos do pescoço para baixo. Menos de 24 horas após o trauma, ele foi submetido a procedimento cirúrgico em que recebeu a aplicação da polilaminina, tornando‑se o primeiro ser humano a ser tratado com a substância em uma lesão medular aguda. Semanas depois, surgiu o primeiro indicativo clínico de reconexão funcional, e hoje ele alcançou um estágio de recuperação que o torna 100% independente, com apenas algumas sequelas residuais.
Durante o encontro, compartilhado em fotos e vídeos, Bruno aparece empurrando a cadeira de rodas de Laís e conversando com ela sobre os avanços na pesquisa e na própria recuperação. A polilaminina é uma substância semelhante à proteína laminina, reproduzida em laboratório pela equipe da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), liderada pela professora Tatiana Sampaio. O composto está na fase 1 de testes clínicos, autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e representa um marco histórico na busca por tratamentos capazes de reverter ou minimizar as consequências de lesões medulares.
A repercussão do caso tem colocado a ciência brasileira no centro do debate internacional sobre regeneração neuronal e recuperação funcional após trauma na medula espinhal. Para Laís Souza, que também vive com tetraplegia desde um acidente nos Jogos de Inverno de 2014, a história de Bruno simboliza esperança para muitos que enfrentam condições semelhantes, embora os pesquisadores ressaltem que a substância ainda está em fase experimental e não é, por enquanto, acessível de forma ampla.












