Em Mato Grosso, pelo menos 18 homens condenados ou com mandados de prisão por feminicídio seguem circulando normalmente em liberdade, apesar de ordens judiciais pendentes ou penas já transitadas em julgado. Os dados constam no Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões do Conselho Nacional de Justiça, e mostram um cenário preocupante sobre a efetividade da execução penal no estado.
Entre os casos mais emblemáticos figura o de Aluízio Bruno Barros Filho, condenado a 18 anos e nove meses de prisão pelo assassinato da ex‑companheira em Sinop, em 2018, cujo corpo foi encontrado pela própria filha da vítima. Apesar da condenação definitiva, o acusado ainda não foi localizado pelas autoridades.
Outros homens com mandados ativos incluem aqueles procurados por homicídios brutais em municípios como São Félix do Araguaia, Colíder e Peixoto de Azevedo, onde as vítimas foram mortas a tiros ou por estrangulamento. Em um dos casos mais recentes, uma mulher grávida foi encontrada morta em Peixoto de Azevedo em 2024, e o suspeito fugiu imediatamente após o crime, atravessando fronteiras estaduais na tentativa de escapar da Justiça.
As autoridades e familiares das vítimas veem essa situação como reflexo de uma sensação de impunidade que pode enfraquecer a confiança no sistema de Justiça criminal. Organizações que atuam no enfrentamento da violência de gênero destacam que, embora muitos casos de feminicídio sejam produzidos e investigados pela Polícia Civil, a presença de foragidos com condenações ou mandados ativos evidencia lacunas na execução das penas e na atuação integrada entre órgãos judiciais e policiais em Mato Grosso.
As ordens judiciais foram expedidas em ao menos 15 municípios, entre eles Cuiabá, Várzea Grande, Sinop, Rondonópolis, Peixoto de Azevedo, São Félix do Araguaia e Alta Floresta, ampliando o alerta sobre o alcance do problema no Estado.












