Redução de tarifas, acesso a mais tecnologia europeia e estímulo ao avanço da indústria matogrossense estão entre fatores que tendem a fortalecer o agronegócio como um todo.
O acordo comercial entre União Europeia e o Mercosul, após mais de 25 anos de negociações, deve abrir uma nova fase de crescimento ao agronegócio e, principalmente, para a agroindústria em Mato Grosso, segundo levantamento exclusivo obtido pelo g1.
A zona de livre comércio que se abre no cenário internacional traz uma redução tarifária, acesso ampliado aos mercados, novas tecnologias europeias e estímulo à agroindustrialização do estado.
Um levantamento feito pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), com base em dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), mostra que o novo acordo vai derrubar barreiras tarifárias que, hoje, punem os produtos processados.
“O tratado reposiciona o estado não apenas como grande fornecedor de commodities, mas como protagonista de cadeias produtivas com maior valor agregado”, destaca a Famato, no estudo.
Para se ter uma ideia, a União Europeia era o destino de 69,6% das exportações mato-grossenses em 1997, cerca de US$ 645 milhões. Em 2025, embora o valor absoluto tenha saltado quase cinco vezes, para US$ 3,09 bilhões, a fatia europeia ficou estável entre 10% e 16%, ficando em segundo lugar como destino das exportações, atrás apenas da China.
A Famato avalia que os benefícios não virão apenas das exportações com tarifas reduzidas. “Mas, também, da possibilidade de importar equipamentos e insumos com menor custo, elevando a eficiência produtiva, uma combinação rara de abertura comercial e incentivo à competitividade estrutural”, disse.
Novas oportunidades
Carne bovina
A União Europeia é apenas o 5º maior comprador de carne bovina do estado, com um total de US$ 226 milhões. O volume é baixo comparado à China. Isso ocorre porque o mercado europeu é protegido por altas tarifas e regras ambientais mais rígidas.
Vale destacar que o estado bateu o próprio recorde, pelo segundo ano consecutivo em 2025, ao contabilizar mais de sete milhões de abates bovinos.
O acordo com a UE prevê uma cota de 99.000 toneladas de carne bovina para o Mercosul com tarifa reduzida em torno de 7,5%. Para a Famato, vender para a Europa atualmente é custoso.
“Com a tarifa caindo de níveis proibitivos para 7,5% dentro da cota, a carne de MT torna-se extremamente competitiva frente à carne australiana ou americana na Europa”, disse.
Diante da abertura da zona de livre comércio, a entidade espera de dobrar o valor exportado sem necessariamente dobrar o número de cabeças abatidas, focando em cortes premium.
Por Rogério Júnior, g1 MT












