Os negócios que orbitam Lulinha e o suposto elo com o ‘Careca do INSS’

O filho mais velho do presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, é investigado pela Polícia Federal por suspeita de ter recebido R$ 1,5 milhão do empresário Antônio Camilo Antunes, preso como principal responsável por desvios de recursos de aposentados e pensionistas do INSS. Os repasses ocorreram entre 2024 e 2025, em cinco parcelas de R$ 300 mil, e estariam vinculados a contratos de consultoria prestados fora do Brasil, segundo despacho do ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, na Operação Sem Desconto, realizada em 18 de dezembro.

As investigações apontam que Lulinha pode ter recebido recursos através de um esquema envolvendo Roberta Luchsinger, neta de Peter Paul Luchsinger, ex-acionista do Credit Suisse, e a publicitária Danielle Fontelles, ex-responsável por contas do PT até 2017. Fontelles teria sido contratada por Antunes em 2024 para prestação de serviços no exterior, intermediando operações de câmbio e remessas de dinheiro, inclusive para a aquisição de imóvel de alto padrão em Portugal, por meio da empresa Coreto Tropical Ltda., na qual atuava como sócia e gerente.

Outra empresa envolvida, a Candango Consulting Ltda., tem como gerente Romeu Antunes, filho de Antônio Camilo, e teria atuado em operações financeiras conectando o núcleo brasileiro às estruturas europeias do grupo, especialmente em Portugal e Alemanha. A PF identificou que uma das remessas teria como destino “o filho do rapaz”, referência apontada a Lulinha, e mensagens indicam a preocupação de ocultar comunicações, como a eliminação de celulares. Em áudios apreendidos, o nome “Fábio” e a empresa Friboi foram citados em conversas que, segundo a PF, indicam movimentações financeiras suspeitas.

Os investigadores ainda identificaram contratos e projetos de consultoria que teriam sido usados para encobrir a movimentação de dinheiro, como o “Projeto Energia”, “Projeto Esmagadoras” e “Projeto Hidrogênio”, vinculados à Brasília Consultoria Empresarial Ltda. e RL Consultoria e Intermediações. Apesar de a decisão do ministro Mendonça não citar nominalmente o filho do presidente, as evidências reforçam o foco das apurações sobre Lulinha.

A defesa de Roberta Luchsinger afirmou que a contratação de sua empresa foi regular, destinada a serviços de representação, e negou qualquer conhecimento sobre o envolvimento de Antônio Camilo Antunes com desvios de recursos. As suspeitas ainda estão em fase de apuração e serão detalhadas pelos investigadores nas próximas etapas do processo.

Fonte: Ricardo Brandt / STF / PF

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