Júri do caso Ana Clara, que seria hoje, 21, foi adiado para 2027; mãe cobra Justiça após cinco anos

O julgamento do policial militar Bruno Dias Delaroli, acusado pela morte de Ana Clara Gomes Machado, de cinco anos, foi adiado para 5 de maio de 2027. A sessão estava prevista para esta quarta-feira, 21 de outubro de 2026, mas foi remarcada no fim de agosto, segundo reportagem publicada pelo Brasil de Fato, com conteúdo da Agência Pública. A justificativa informada à família foi que a juíza responsável teria outro compromisso na data. Com isso, a mãe da menina, Cristiane Gomes da Silva, continua aguardando há mais de cinco anos que o caso seja levado ao Tribunal do Júri.

Ana Clara morreu em 2 de fevereiro de 2021, após ser atingida por disparos de fuzil enquanto brincava perto de casa, na comunidade Monan Pequeno, no bairro de Pendotiba, em Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro. O Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou Delaroli por homicídio doloso, sustentando que ele assumiu o risco de matar ao efetuar disparos em uma área residencial. A defesa do policial, por sua vez, alegou que houve confronto com criminosos armados. Informações periciais citadas em reportagens contestaram essa versão, apontando vestígios de munição compatíveis com o fuzil utilizado pelo agente.

O caso voltou a ganhar repercussão nacional após o debate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), realizado pela TV Band em 18 de outubro. Durante o confronto, Lula questionou a atuação de Flávio na defesa do policial. O senador respondeu que o exercício da advocacia não deve ser criminalizado e ressaltou que o acusado ainda não havia sido julgado. Flávio integrou a equipe jurídica de Delaroli em 2024 e assinou recurso apresentado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar reverter a decisão que determinou o julgamento pelo Tribunal do Júri.

Apesar da atuação da defesa, a decisão que determina que o policial seja submetido ao júri foi mantida. O STJ rejeitou o recurso em 2024, e outras medidas judiciais também não impediram o julgamento popular. Em junho de 2025, o Supremo Tribunal Federal confirmou a manutenção dessa determinação, que se tornou definitiva em agosto daquele ano. Por isso, é importante diferenciar a tentativa de barrar o júri de uma eventual anulação: até as informações consultadas em 21 de outubro de 2026, não havia indicação de que a decisão de levar o policial a julgamento tivesse sido anulada. O que as reportagens registram é o adiamento da sessão, agora prevista para maio de 2027.

Em entrevista publicada pelo Brasil de Fato em 20 de outubro, Cristiane afirmou que ficou desesperada ao ver Flávio não responder à pergunta sobre sua filha durante o debate. A mãe também manifestou revolta com a demora do processo e questionou por que o julgamento precisou ser transferido para o ano seguinte. “Só tem ela de juíza? E precisava jogar para o meio do ano que vem?”, declarou, ao comentar a justificativa que recebeu para o adiamento. Cristiane afirma que espera uma resposta da Justiça e que não quer que a morte da filha seja esquecida.

A espera pelo julgamento se soma às dificuldades pessoais enfrentadas pela família desde a morte da criança. Na entrevista, Cristiane relatou problemas financeiros, dificuldades para conseguir trabalho e o impacto emocional da perda sobre o filho mais novo, Pedro, que tinha dois anos quando a irmã morreu. Ela também contou ter recebido ataques e temido pela própria segurança após a retomada da repercussão do caso. Mais de cinco anos depois, a família segue aguardando que o Tribunal do Júri examine a acusação contra Delaroli, que responde ao processo em liberdade e cuja responsabilidade criminal ainda precisa ser decidida pela Justiça.

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