Print é eterno: Flávio Bolsonaro que já chamou benefício de “bolsa farelo”, agora apaga posts contra o Bolsa Família,

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, apagou publicações antigas de sua conta no X, antigo Twitter, nas quais criticava o Bolsa Família e outros programas de transferência de renda. As mensagens, divulgadas pelo Estadão e reproduzidas pelo UOL em 19 de outubro de 2026, continham expressões como “bolsa-farelo” e acusações de que o Partido dos Trabalhadores (PT) utilizava benefícios sociais para conquistar votos. A exclusão dos conteúdos ocorreu durante a campanha para o segundo turno presidencial, previsto para 25 de outubro.

Entre as mensagens identificadas estavam publicações de 2010 a 2014. Em uma delas, de abril de 2010, Flávio associou o Bolsa Família à troca de votos por benefícios. Em junho de 2013, voltou a criticar o programa e afirmou que o PT perpetuava a pobreza por meio da dependência dos beneficiários. O então deputado estadual também utilizou a expressão “bolsa-farelo” para se referir ao programa Renda Melhor, criado no Rio de Janeiro para complementar a renda de famílias em situação de pobreza e extrema pobreza.

A existência das publicações foi identificada a partir de um arquivo com o histórico de mensagens do senador, obtido pelo Estadão em junho de 2026. O levantamento permitiu comparar os registros anteriores com o conteúdo que permanecia disponível em sua conta. Na reportagem publicada em 19 de outubro, o jornal informou que procurou a campanha de Flávio para esclarecer os motivos da exclusão, mas não recebeu resposta até o fechamento do texto. A retirada das mensagens, por si só, não permite determinar quem realizou a exclusão nem quando cada publicação foi apagada.

A repercussão ocorre em um momento no qual o candidato passou a afirmar publicamente que pretende manter o Bolsa Família caso seja eleito. Em vídeo divulgado nas redes sociais na segunda-feira, 19 de outubro, Flávio disse que os beneficiários poderiam ficar tranquilos e garantiu que o programa continuaria existindo. A declaração foi apresentada como resposta às críticas sobre seu histórico de posicionamentos e à discussão sobre as propostas sociais de sua campanha.

No mesmo dia, Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha de Flávio, defendeu uma regra de transição de dois anos para beneficiários que consigam emprego formal ou decidam abrir um negócio. A proposta prevê a continuidade temporária do auxílio durante a transição para uma nova fonte de renda e a possibilidade de retorno ao programa caso a família volte a enfrentar dificuldades financeiras. Em entrevista, Daniella também criticou a dependência prolongada de programas assistenciais, que classificou como uma “prisão assistencialista”. A proposta ainda precisa ser detalhada quanto aos critérios de aplicação e às condições de implementação.

O debate sobre o futuro do Bolsa Família tornou-se um dos temas da disputa eleitoral. De um lado, Flávio afirma que pretende preservar o benefício e estimular a autonomia financeira dos beneficiários; de outro, adversários questionam as declarações antigas do senador e cobram esclarecimentos sobre a mudança de abordagem. A diferença entre as críticas feitas anos atrás e as garantias apresentadas durante a campanha passou a integrar a discussão pública, mas a exclusão das mensagens não comprova, isoladamente, uma alteração formal de programa de governo. A proposta atual deverá ser avaliada a partir de suas regras concretas e de eventuais documentos oficiais apresentados pela campanha.

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