Uma réplica inflável de míssil com uma mensagem direcionada ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chamou a atenção durante uma manifestação de apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL), realizada no domingo, 18 de outubro de 2026, na Avenida Paulista, em São Paulo. O objeto trazia a frase em inglês “Trump nuke Brazil”, que pode ser traduzida como “Trump, ataque o Brasil com armas nucleares”. A cena foi registrada em vídeos que circularam nas redes sociais e ganhou repercussão nacional na reta final da campanha presidencial.
O ato, denominado “Bloquinho 22”, reuniu apoiadores de Flávio Bolsonaro uma semana antes do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro. Segundo levantamento do Monitor do Debate Político da Universidade de São Paulo (USP) e do Cebrap, em parceria com a organização More in Common Brasil, a manifestação reuniu aproximadamente 71,9 mil pessoas no horário de maior concentração, com margem de erro de 12%. Entre os participantes estavam o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes, e os deputados Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato.
A exibição do míssil inflável provocou repercussão política, especialmente por conter uma mensagem que faz referência a um possível ataque nuclear contra o próprio Brasil. O episódio também gerou questionamentos sobre a presença de símbolos estrangeiros em uma manifestação marcada pelo discurso de defesa dos interesses nacionais. Antes dos discursos, um integrante da organização do evento pediu que os participantes recolhessem bandeiras de outros países, incluindo as dos Estados Unidos e de Israel. “Hoje é a nação brasileira, queria pedir para que bandeiras de outros países fossem recolhidas”, afirmou o organizador no carro de som principal.
A presença do objeto também foi explorada por políticos de esquerda, que criticaram a mensagem e a relação política entre integrantes do bolsonarismo e o governo de Donald Trump. O episódio foi associado ao debate sobre soberania nacional e à postura de Flávio Bolsonaro em relação aos Estados Unidos. Por outro lado, aliados do senador questionaram a responsabilidade dos participantes que exibiram o míssil e levantaram a hipótese de que a ação teria sido realizada por pessoas infiltradas na manifestação. Até as informações publicadas em 19 de outubro, não havia comprovação conclusiva dessa alegação nem identificação pública confirmada dos responsáveis pela produção do objeto.
Durante o mesmo ato, Flávio Bolsonaro afirmou que, caso seja eleito presidente, pretende receber a faixa presidencial das mãos do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador também defendeu a indicação de ministros conservadores para o Supremo Tribunal Federal (STF) e convocou os apoiadores a acompanhar o debate televisivo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizado naquela noite pela TV Band. A manifestação ocorreu em um momento decisivo da disputa eleitoral, com os dois candidatos intensificando os discursos e as críticas mútuas antes da votação.















