Operação em MT aplica R$ 86,8 milhões em multas e fiscaliza mais de 10 mil hectares

O Governo de Mato Grosso aplicou R$ 86,8 milhões em multas por infrações ambientais durante a Operação Abafa Amazônia II, encerrada em 17 de outubro de 2026. Ao longo de 13 dias, as equipes fiscalizaram 10.397,08 hectares nos municípios de Aripuanã e Colniza, no noroeste do estado, com atenção especial à região do distrito de Guariba. A operação também resultou na apreensão de três armas de fogo e munições, segundo balanço divulgado pelo Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT).

Coordenada pelo CBMMT, a força-tarefa reuniu órgãos estaduais e federais para combater o desmatamento ilegal, a exploração florestal irregular, o uso indevido do fogo e as ocupações clandestinas. Participaram da ação a Polícia Militar de Proteção Ambiental, a Delegacia Especializada do Meio Ambiente, a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), o Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer), a Força Nacional de Segurança Pública e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT).

De acordo com o comandante do Batalhão de Emergências Ambientais, tenente-coronel BM Heitor Alves de Souza, a definição das áreas fiscalizadas considerou levantamentos de geomonitoramento e informações sobre possíveis irregularidades ambientais. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indicaram concentração elevada de focos de calor no noroeste mato-grossense, mesmo durante o período de restrição ao uso do fogo. Com base nessas informações, as equipes concentraram as vistorias em áreas desmatadas, regiões com recorrência de queimadas e locais com indícios de ocupação irregular.

Em Colniza, os agentes identificaram sinais de ocupação em uma área embargada. No local, encontraram um barraco recém-construído, um aparelho celular, um fogão e uma panela ainda quentes, elementos que indicavam utilização recente do espaço. Debaixo de um colchão, foi localizada uma garrucha de dois canos, calibre .22, além de um recipiente com dez munições do mesmo calibre. Em Aripuanã, as equipes apreenderam outras duas armas de fogo: uma espingarda calibre .32 e outra calibre .20.

A fiscalização também contou com apoio aéreo para alcançar áreas de difícil acesso. A aeronave foi utilizada no transporte das equipes, no sobrevoo de regiões com indícios de desmatamento e na identificação de possíveis invasões e queimadas. Segundo o comando da operação, a integração entre os órgãos ampliou a capacidade de fiscalização e permitiu a intervenção em áreas consideradas prioritárias, com o objetivo de interromper atividades ilegais e reforçar o cumprimento da legislação ambiental.

O governo estadual reforçou ainda que o período proibitivo do uso do fogo em atividades de limpeza e manejo de áreas rurais começou em 1º de julho e segue até 30 de novembro de 2026. Nas áreas urbanas, a proibição permanece durante todo o ano. Denúncias de uso irregular do fogo podem ser feitas pelos telefones 193, do Corpo de Bombeiros Militar, e 190, da Polícia Militar. Embora o balanço tenha informado R$ 86,8 milhões em multas, não significa que esse montante já tenha sido arrecadado: o valor efetivamente pago e o andamento dos processos administrativos não foram detalhados na divulgação oficial.

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