Dois helicópteros do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) chegaram a Manaus neste sábado, 10 de outubro de 2026, para reforçar o combate aos incêndios florestais no Amazonas. A chegada das aeronaves ocorre em meio ao agravamento das queimadas no estado e à intensificação da fumaça na capital amazonense. A operação federal prevê ainda o envio de quatro aviões Air Tractor, utilizados no lançamento de água sobre áreas atingidas pelo fogo, além da mobilização de 290 brigadistas especializados.
A mobilização foi anunciada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), que informou estar ampliando os recursos destinados às operações de prevenção, monitoramento e combate aos incêndios. Segundo a pasta, o Ibama já havia extinguido 229 incêndios no Amazonas desde o início da temporada e continuava atuando em outros 20 focos ativos. A estratégia é reforçar a capacidade de resposta nas áreas mais críticas, especialmente onde o avanço das chamas ameaça a vegetação e as comunidades próximas.
O agravamento da situação também foi registrado em números. De acordo com a reportagem do CM7 Brasil, o Amazonas contabilizou 6.901 focos de incêndio até 8 de outubro, representando um aumento de 244% em relação ao período comparado pela publicação. Os municípios de Apuí e Novo Aripuanã aparecem entre os mais afetados. Os dados reforçam a preocupação das autoridades ambientais diante da expansão dos incêndios em diferentes regiões do estado.
Em Manaus, os efeitos das queimadas são sentidos diretamente pela população. Neste sábado, a capital completou o terceiro dia consecutivo encoberta pela fumaça, com índices de poluição atmosférica classificados como péssimos em pontos de monitoramento. Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) indicaram concentração de material particulado de 209 microgramas por metro cúbico nas primeiras horas do dia, muito acima do patamar de até 25 microgramas por metro cúbico considerado adequado para a qualidade do ar.
A poluição levou à suspensão de atividades presenciais em escolas municipais e universidades na sexta-feira (9). A Defesa Civil também enviou alertas aos celulares da população, recomendando evitar a exposição à fumaça e utilizar máscaras ao sair de casa. Crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias estão entre os grupos que exigem maior atenção diante da piora das condições atmosféricas.
A atuação das equipes federais ocorre em meio a divergências sobre a coordenação do apoio ao estado. Em nota divulgada em 9 de outubro, o Ministério do Meio Ambiente informou que o governo amazonense havia solicitado auxílio federal em 23 de setembro, mas dispensado parte do apoio em 30 de setembro, depois que as chuvas contribuíram para controlar os focos naquele momento. O ministério acrescentou que orientou o estado a formalizar novos pedidos de recursos por meio do Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil, mas que essa solicitação ainda não havia sido registrada até a publicação do comunicado.
O governo federal também informou que mantém apoio financeiro ao Amazonas por meio do projeto ProAmazon, financiado pelo Fundo Amazônia, com R$ 45 milhões destinados ao fortalecimento da estrutura do Corpo de Bombeiros Militar e às ações de prevenção e combate aos incêndios florestais. Paralelamente, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional comunicou que solicitou ao Ministério da Defesa duas aeronaves para atuar nas áreas mais críticas, com combustível, autonomia de voo e pilotos.
A chegada dos helicópteros representa um reforço operacional importante, mas o controle das queimadas dependerá da atuação conjunta das equipes, das condições climáticas e da redução das práticas que favorecem o surgimento de novos incêndios. Enquanto as operações avançam no interior, Manaus continua enfrentando os impactos da fumaça, e as autoridades mantêm o alerta para os riscos à saúde e a necessidade de evitar a exposição ao ar contaminado.













