Gilmar Fabris declara patrimônio zerado na disputa por vaga na Assembleia

O ex-deputado estadual Gilmar Donizete Fabris (PSD) declarou à Justiça Eleitoral não possuir nenhum bem em seu nome para a disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa de Mato Grosso nas eleições de 2026. A informação foi divulgada pelo Olhar Direto em 14 de agosto e ganhou repercussão pelo contraste com os patrimônios declarados pelo político em eleições anteriores.

Em 2014, Fabris havia informado patrimônio de R$ 5 milhões. Na declaração daquele ano, o valor foi descrito como crédito decorrente da venda de gado por meio de parceria em atividade rural. Quatro anos depois, em 2018, quando disputou a reeleição para deputado estadual, o político declarou R$ 4,5 milhões, valor que, segundo os registros divulgados, estava integralmente mantido em dinheiro em espécie.

A mudança não ocorreu apenas na declaração apresentada neste ano. Em 2022, quando tentou uma vaga na Câmara dos Deputados, Fabris também informou não possuir bens a declarar. Assim, os registros eleitorais citados nas reportagens mostram uma trajetória que passou de R$ 5 milhões declarados em 2014 e R$ 4,5 milhões em 2018 para patrimônio oficialmente zerado nas eleições de 2022 e 2026.

Fabris, que tenta retornar ao Legislativo estadual, tem uma trajetória política marcada também por episódios judiciais. Em setembro de 2017, quando ainda era deputado estadual, foi preso por determinação do Supremo Tribunal Federal durante a Operação Malebolge, investigação que apurava suspeitas relacionadas à obstrução da Justiça. Na ocasião, imagens de segurança mostraram o parlamentar deixando o apartamento às 5h34, de pijama e chinelos, carregando uma pequena mala.

Segundo a reportagem, uma decisão do então ministro do STF Luiz Fux registrou que a Procuradoria-Geral da República suspeitava que a mala pudesse conter documentos de interesse da investigação e dinheiro. O episódio, no entanto, pertence ao contexto da Operação Malebolge e não significa que exista uma nova investigação relacionada à declaração de patrimônio apresentada por Fabris em 2026.

A declaração patrimonial zerada ocorre no momento em que o ex-deputado volta a disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Os dados apresentados à Justiça Eleitoral estabelecem, portanto, uma diferença expressiva em relação às declarações de 2014 e 2018, quando Fabris informou possuir milhões de reais em patrimônio.

Fonte principal: Olhar Direto

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