Mulher investigada por fraudes no INSS é encontrada morta em Minas

Íris Ferreira Rodrigues, 25 anos, foi encontrada morta em sua casa em Águas Formosas, interior de Minas Gerais, na sexta-feira (14). A Polícia Civil trata o caso como suicídio, um dia após ela ter sido alvo de mandado de busca e apreensão da nova fase da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que apura fraudes bilionárias contra aposentados e pensionistas do INSS, prejuízo estimado em mais de R$ 6 bilhões.

O IML de Teófilo Otoni ainda não concluiu o laudo da necropsia. Segundo fontes policiais, Íris não deixou carta.

Empresária e dona da Ferreira Rodrigues Credi Agro Consultoria Ltda, aberta em dezembro passado com capital social declarado de R$ 200 mil, Íris era investigada por sua ligação com o presidente da Conafer (Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores), Carlos Roberto Ferreira Lopes. Ele teve a prisão decretada, mas não foi localizado. A confederação informou que ele deve se apresentar.

Fontes próximas à jovem afirmam que ela mantinha um relacionamento amoroso com Carlos Lopes e relatam que seu padrão de vida mudou rapidamente. Íris, que anos antes trabalhava como recepcionista, teria passado a ostentar bens de alto valor e vivido por um período em uma mansão no Jardim Botânico, em Brasília, antes de retornar a Minas. Familiares não foram encontrados pela reportagem.

Nas redes sociais, Íris mostrava rotina em uma fazenda e se identificava como indígena Maxakali, etnia tradicional de sua cidade natal, Machacalis.

A Conafer está no centro das investigações da PF. Um dos documentos do inquérito aponta que a entidade registrou crescimento de 16.000% nos descontos em folha de aposentados e pensionistas: de R$ 350 mil em 2019 para R$ 57 milhões em 2020. Em 2022, o total chegou a R$ 92 milhões, saltando para R$ 202 milhões em 2023.

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