A inadimplência entre os produtores rurais brasileiros alcançou 8,8% no primeiro trimestre de 2026, o maior índice da série histórica da Serasa Experian. O percentual representa um aumento de 0,6 ponto percentual em relação ao fim de 2025, quando a taxa era de 8,2%, e de 1,2 ponto percentual na comparação com o mesmo período do ano passado, quando o indicador estava em 7,6%.
Segundo o levantamento, os produtores sem registro rural apresentam o maior nível de inadimplência, com índice de 11%. Entre os estados, o Amapá lidera o ranking, registrando taxa de 21,2%. Os dados também mostram deterioração na qualidade do crédito no campo, com o Agro Score médio recuando de 606 para 591 pontos em um ano, indicando maior risco para concessão de financiamentos.
De acordo com Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian, a elevação gradual da inadimplência demonstra que muitos produtores ainda enfrentam dificuldades para recuperar a capacidade financeira. O cenário é resultado da combinação de custos elevados de produção, juros altos, menor disponibilidade de crédito e impactos climáticos que afetaram a rentabilidade da atividade agrícola.
O avanço da inadimplência ocorre em um momento de maior cautela no mercado de crédito rural. Especialistas alertam que a piora dos indicadores pode dificultar ainda mais o acesso dos produtores a novos financiamentos e impulsionar pedidos de renegociação de dívidas e recuperações judiciais, aumentando a pressão sobre toda a cadeia do agronegócio brasileiro.












