O líder indígena Raoni Metuktire, de 94 anos, voltou a ser internado em estado grave no Hospital e Maternidade Dois Pinheiros, em Sinop, no Mato Grosso. A nova internação ocorreu na tarde de domingo (14), e o cacique permanece na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) sob acompanhamento médico constante.
De acordo com boletim divulgado pelo hospital, Raoni chegou à unidade apresentando sinais de desidratação, sonolência acentuada, abdome distendido e ausência de diurese, condição que indica comprometimento da função dos rins. Os exames apontaram alterações renais e marcadores compatíveis com um processo infeccioso grave. A principal hipótese médica é de sepse de foco pulmonar provocada por pneumonia broncoaspirativa, decorrente de episódios intensos de vômito. A tomografia também identificou um quadro de suboclusão gástrica.
Segundo informações repassadas por familiares e cuidadores, o líder indígena estava em sua residência na região de Peixoto de Azevedo, onde recebia visitas de lideranças e pajés de seu povo, quando apresentou um primeiro episódio de vômito na manhã de sábado (13). No domingo (14), o quadro se agravou com três novos episódios de vômito, além de tosse persistente, dores abdominais e expectoração com pequena quantidade de sangue. Conforme o hospital, Raoni conseguiu ingerir apenas o café da manhã e não voltou a se alimentar ao longo do dia devido ao desconforto abdominal.
Esta é a terceira internação do cacique em 2026. Em maio, ele precisou ser hospitalizado após fortes dores abdominais causadas por uma hérnia diafragmática traumática crônica, consequência de um acidente sofrido há mais de duas décadas. Por causa da idade avançada, os médicos descartaram a realização de cirurgia e optaram por tratamento conservador. Pouco tempo depois, ele também precisou retornar à UTI para tratar um quadro de pneumonia.
Reconhecido internacionalmente pela defesa dos povos indígenas e pela luta contra o desmatamento da Amazônia, Raoni é uma das principais lideranças indígenas do mundo. Ao longo das últimas décadas, tornou-se uma voz ativa na proteção dos territórios tradicionais e na denúncia dos impactos ambientais sofridos pelos povos originários, conquistando reconhecimento dentro e fora do Brasil.













