{"id":7974,"date":"2026-04-20T16:58:46","date_gmt":"2026-04-20T20:58:46","guid":{"rendered":"https:\/\/diarionews.com.br\/?p=7974"},"modified":"2026-04-20T16:59:42","modified_gmt":"2026-04-20T20:59:42","slug":"plantar-arvore-pra-queimar-mt-aposta-no-eucalipto-pra-salvar-o-etanol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarionews.com.br\/?p=7974","title":{"rendered":"\u201cPlantar \u00e1rvore pra queimar: MT aposta no eucalipto pra salvar o etanol\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p>O governo de Mato Grosso lan\u00e7ou, no fim de mar\u00e7o de 2026, um plano ambicioso que promete mudar a base energ\u00e9tica do agroneg\u00f3cio estadual. O Plano de Desenvolvimento Florestal e Biomassa 2026\u20132040 prev\u00ea triplicar a \u00e1rea de florestas plantadas, saindo de cerca de 200 mil hectares para 700 mil at\u00e9 2040, com um objetivo direto: garantir combust\u00edvel para as caldeiras das usinas de etanol de milho, setor que cresce em ritmo acelerado no estado.<\/p>\n\n\n\n<p>A proposta surge como resposta a um problema que j\u00e1 bate \u00e0 porta. Hoje, parte relevante da biomassa utilizada pelas ind\u00fastrias ainda vem de madeira nativa oriunda de supress\u00e3o vegetal autorizada. O governo reconhece que essa fonte, embora legal, n\u00e3o ser\u00e1 suficiente para sustentar a expans\u00e3o das usinas, que podem ser constru\u00eddas em at\u00e9 dois anos, enquanto uma floresta de eucalipto leva pelo menos sete para atingir o ponto de corte.<\/p>\n\n\n\n<p>Apresentado como solu\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel, o plano aposta no plantio de florestas comerciais, principalmente eucalipto, em \u00e1reas degradadas ou de baixa produtividade. A narrativa oficial destaca benef\u00edcios como redu\u00e7\u00e3o da press\u00e3o sobre vegeta\u00e7\u00e3o nativa, gera\u00e7\u00e3o de empregos e alinhamento com metas de descarboniza\u00e7\u00e3o. Na pr\u00e1tica, a ideia \u00e9 simples: plantar madeira hoje para garantir energia amanh\u00e3 e evitar que o pr\u00f3prio crescimento do setor vire um gargalo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por tr\u00e1s do discurso t\u00e9cnico, h\u00e1 tamb\u00e9m press\u00e3o regulat\u00f3ria. O Minist\u00e9rio P\u00fablico investiga, desde 2024, o uso de madeira nativa pelas ind\u00fastrias, o que acelerou a necessidade de uma alternativa mais \u201climpa\u201d e previs\u00edvel. O plano inclui mecanismos como Planos de Suprimento Sustent\u00e1vel, tentando organizar uma transi\u00e7\u00e3o gradual, sem travar a produ\u00e7\u00e3o e sem esgotar os recursos dispon\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>O movimento tamb\u00e9m tem forte peso econ\u00f4mico. Mato Grosso j\u00e1 lidera a produ\u00e7\u00e3o nacional de etanol de milho, com cerca de 10 usinas em opera\u00e7\u00e3o e outras em fase de projeto. Empresas do setor, como grandes grupos de bioenergia, j\u00e1 investem em florestas pr\u00f3prias ou em sistemas de fomento com produtores rurais, antecipando uma demanda que s\u00f3 tende a crescer. A biomassa, nesse cen\u00e1rio, deixa de ser detalhe e vira pe\u00e7a central do neg\u00f3cio.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do tom otimista, o desafio \u00e9 evidente: equilibrar a velocidade do agroneg\u00f3cio com o tempo da natureza. Enquanto usinas surgem em poucos anos, as florestas exigem planejamento de longo prazo, cr\u00e9dito, incentivos e seguran\u00e7a jur\u00eddica. At\u00e9 l\u00e1, Mato Grosso aposta em uma equa\u00e7\u00e3o curiosa, plantar \u00e1rvores n\u00e3o para preservar, mas para alimentar uma ind\u00fastria que n\u00e3o pode parar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O governo de Mato Grosso lan\u00e7ou, no fim de mar\u00e7o de 2026, um plano ambicioso que promete mudar a base energ\u00e9tica do agroneg\u00f3cio estadual. 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