{"id":6421,"date":"2026-03-30T06:30:49","date_gmt":"2026-03-30T10:30:49","guid":{"rendered":"https:\/\/diarionews.com.br\/?p=6421"},"modified":"2026-03-30T06:30:51","modified_gmt":"2026-03-30T10:30:51","slug":"justica-condena-familia-por-nao-vacinar-filhos-contra-covid-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarionews.com.br\/?p=6421","title":{"rendered":"Justi\u00e7a condena fam\u00edlia por n\u00e3o vacinar filhos contra Covid-19"},"content":{"rendered":"\n<p>Uma decis\u00e3o judicial recente reacendeu o debate sobre a obrigatoriedade da vacina\u00e7\u00e3o infantil no Brasil. Uma fam\u00edlia do Paran\u00e1 foi condenada pela Justi\u00e7a ap\u00f3s se recusar a vacinar os filhos contra a Covid-19, acumulando uma multa que j\u00e1 ultrapassa R$ 500 mil. O caso ganhou repercuss\u00e3o nacional e levanta discuss\u00f5es sobre direitos individuais e deveres legais dos respons\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a decis\u00e3o, os pais descumpriram uma ordem judicial emitida em 2023 que determinava a imuniza\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, de 10 e 12 anos. Como consequ\u00eancia, foi aplicada uma multa di\u00e1ria de R$ 300 para cada respons\u00e1vel, valor que continuou sendo somado ao longo do tempo e resultou no montante elevado. Al\u00e9m disso, houve bloqueio de contas banc\u00e1rias e tentativas de penhora de bens da fam\u00edlia. <\/p>\n\n\n\n<p>A defesa alegou que os filhos possuem problemas respirat\u00f3rios, como asma, e apresentou um laudo m\u00e9dico indicando contraindica\u00e7\u00e3o \u00e0 vacina. No entanto, a Justi\u00e7a desconsiderou o documento, argumentando inconsist\u00eancias e diverg\u00eancias com outros registros m\u00e9dicos apresentados no processo. O Minist\u00e9rio P\u00fablico tamb\u00e9m questionou a validade do laudo, refor\u00e7ando o entendimento de que a vacina\u00e7\u00e3o era necess\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>O caso segue uma linha j\u00e1 consolidada em decis\u00f5es judiciais no pa\u00eds. O Superior Tribunal de Justi\u00e7a tem entendimento de que a recusa em vacinar filhos pode ser considerada neglig\u00eancia parental, sujeita a san\u00e7\u00f5es previstas no Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente. A Corte tamb\u00e9m destaca que o direito \u00e0 sa\u00fade da crian\u00e7a deve prevalecer sobre a decis\u00e3o individual dos pais, especialmente quando h\u00e1 recomenda\u00e7\u00e3o das autoridades sanit\u00e1rias. <\/p>\n\n\n\n<p>Leia texto completo divulgado pelo STF<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"pstj_elContTitNoticia\">Pais que n\u00e3o vacinarem filhos contra a Covid-19 podem ser multados, decide Terceira Turma<\/h1>\n\n\n\n<p>A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) estabeleceu que est\u00e3o sujeitos \u00e0 multa prevista no&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l8069.htm#art249\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">artigo 249 do Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente (ECA)<\/a>&nbsp;os pais que se recusarem a vacinar seus filhos contra a Covid-19.<\/p>\n\n\n\n<p>Na decis\u00e3o, o colegiado levou em conta que a vacina\u00e7\u00e3o contra a doen\u00e7a foi recomendada em todo o pa\u00eds a partir de 2022, e que o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou constitucional a obrigatoriedade da imuniza\u00e7\u00e3o, desde que a vacina tenha sido inclu\u00edda no Programa Nacional de Imuniza\u00e7\u00f5es, ou que sua aplica\u00e7\u00e3o seja imposta por lei ou, ainda, determinada pelo poder p\u00fablico com base em consenso cient\u00edfico (<a href=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/jurisprudenciaRepercussao\/verAndamentoProcesso.asp?incidente=5909870&amp;numeroProcesso=1267879&amp;classeProcesso=ARE&amp;numeroTema=1103\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tema 1.103<\/a>).<\/p>\n\n\n\n<p>O entendimento foi firmado pela Terceira Turma ao manter&nbsp;ac\u00f3rd\u00e3o&nbsp;que confirmou a multa de tr\u00eas sal\u00e1rios m\u00ednimos \u2013 a ser revertida ao Fundo Municipal dos Direitos da Crian\u00e7a e do Adolescente \u2013 aplicada aos pais de uma menina que, segundo o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Paran\u00e1, n\u00e3o foi vacinada contra a Covid-19 mesmo ap\u00f3s notifica\u00e7\u00e3o do conselho tutelar.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao STJ, os pais alegaram que o STF n\u00e3o declarou a vacina contra a Covid-19 obrigat\u00f3ria, mas apenas estabeleceu par\u00e2metros para que a exig\u00eancia do imunizante seja constitucional. Os pais tamb\u00e9m alegaram que temem os efeitos adversos da vacina, pois o imunizante ainda estaria em fase de desenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Decreto municipal obriga a vacina\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as e adolescentes<\/h2>\n\n\n\n<p>A ministra Nancy Andrighi, relatora, apontou que o direito \u00e0 sa\u00fade da crian\u00e7a e do adolescente \u00e9 protegido pelo ECA, o qual determina a obrigatoriedade da vacina\u00e7\u00e3o quando recomendada pelas autoridades sanit\u00e1rias (<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l8069.htm#art14%C2%A71\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">artigo 14, par\u00e1grafo 1\u00ba, do estatuto<\/a>).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Salvo eventual risco concreto \u00e0 integridade psicof\u00edsica da crian\u00e7a ou do adolescente, n\u00e3o lhe sendo recomend\u00e1vel o uso de determinada vacina, a escusa dos pais ser\u00e1 considerada neglig\u00eancia parental, pass\u00edvel de san\u00e7\u00e3o estatal, ante a preponder\u00e2ncia do melhor interesse sobre sua autonomia&#8221;, explicou.<\/p>\n\n\n\n<p>Como consequ\u00eancia, de acordo com a ministra, os pais que descumprirem \u2013 de forma dolosa ou culposa \u2013 os deveres decorrentes do poder familiar (incluindo a vacina\u00e7\u00e3o dos filhos) ser\u00e3o autuados por infra\u00e7\u00e3o administrativa e ter\u00e3o de pagar multa que pode variar entre tr\u00eas e 20 sal\u00e1rios m\u00ednimos, conforme previsto no artigo 249 do ECA.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso dos autos, Nancy Andrighi tamb\u00e9m observou que, na cidade onde a fam\u00edlia&nbsp;mora, h\u00e1 decreto municipal obrigando a vacina\u00e7\u00e3o contra a Covid-19 para crian\u00e7as e adolescentes de cinco a 17 anos de idade, inclusive com exig\u00eancia de comprovante de imuniza\u00e7\u00e3o para matr\u00edcula em institui\u00e7\u00f5es de ensino.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessas circunst\u00e2ncias, a ministra considerou &#8220;verificada a neglig\u00eancia dos pais diante da recusa em vacinar a filha crian\u00e7a&#8221; e &#8220;caracterizado o abuso da autoridade parental, tendo em vista a quebra da paternidade respons\u00e1vel e a viola\u00e7\u00e3o do melhor interesse da crian\u00e7a&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><em>O n\u00famero deste processo n\u00e3o \u00e9 divulgado em raz\u00e3o de segredo judicial<\/em>.&nbsp;<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma decis\u00e3o judicial recente reacendeu o debate sobre a obrigatoriedade da vacina\u00e7\u00e3o infantil no Brasil. 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