{"id":296,"date":"2025-11-11T19:38:25","date_gmt":"2025-11-11T19:38:25","guid":{"rendered":"https:\/\/diarionews.com.br\/?p=296"},"modified":"2025-11-11T23:02:13","modified_gmt":"2025-11-11T23:02:13","slug":"pantanal-e-o-bioma-mais-atingido-pelo-aumento-da-temperatura-no-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarionews.com.br\/?p=296","title":{"rendered":"Pantanal \u00e9 o bioma mais atingido pelo aumento da temperatura no pa\u00eds"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\"><em>Pantanal e Amaz\u00f4nia tiveram aumento m\u00e9dio de 1,9\u00b0C e 1,2\u00b0C em 40 anos<\/em><\/h3>\n\n\n\n<p><strong>O aumento da temperatura nos biomas do Pantanal e da Amaz\u00f4nia est\u00e1 entre os maiores do pa\u00eds nos \u00faltimos 40 anos, apontam dados divulgados pelo MapBiomas nesta quarta-feira (5). As duas regi\u00f5es tiveram aumento m\u00e9dio de 1,9\u00b0C e 1,2\u00b0C, respectivamente.&nbsp;<\/strong>As informa\u00e7\u00f5es est\u00e3o na nova plataforma da organiza\u00e7\u00e3o, o MapBiomas Atmosfera, que foi lan\u00e7ada hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir de imagens de sat\u00e9lite e modelagem de dados, a plataforma disponibiliza informa\u00e7\u00f5es sobre varia\u00e7\u00f5es de temperatura e precipita\u00e7\u00e3o, entre 1985 e 2024, e sobre poluentes atmosf\u00e9ricos, entre 2003 e 2024, cobrindo todo o territ\u00f3rio brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Considerando todo o pa\u00eds, o levantamento mostra que a temperatura aumentou a uma taxa m\u00e9dia de 0,29\u00baC por d\u00e9cada, levando a uma eleva\u00e7\u00e3o total de 1,2\u00baC no per\u00edodo.<\/strong>&nbsp;No entanto, h\u00e1 diferen\u00e7as entre os biomas, no que diz respeito \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o do aquecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>No Pantanal, o aumento da temperatura chega a 0,47\u00b0C\/d\u00e9cada&nbsp;e, no Cerrado, a 0,31\u00b0C\/d\u00e9cada &#8211; ambos na parte mais continental do pa\u00eds. A Amaz\u00f4nia teve aumento de 0,29\u00b0C\/d\u00e9cada. J\u00e1 os biomas costeiros apresentaram um ritmo mais brando de aquecimento: Caatinga, com+ 0,25\u00b0C\/d\u00e9cada, Mata Atl\u00e2ntica, com+ 0,21\u00b0C\/d\u00e9cada e Pampa, com + 0,14\u00b0C\/d\u00e9cada.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs dados est\u00e3o mostrando que, de maneira sistem\u00e1tica, a temperatura est\u00e1 crescendo em todo o Brasil desde 1985. O ano passado foi recorde, mas n\u00e3o \u00e9 um ano isolado\u201d, explica Luciana Rizzo, professora do laborat\u00f3rio de F\u00edsica Atmosf\u00e9rica da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e integrante do MapBiomas Atmosfera.<\/p>\n\n\n\n<p><br><a href=\"https:\/\/www.whatsapp.com\/channel\/0029VaoRTgrInlqYLSk59B2M\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>&gt;&gt; Siga o canal da&nbsp;<\/strong><strong>Ag\u00eancia Brasil&nbsp;<\/strong><strong>no WhatsApp<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O&nbsp;recorde a que a pesquisadora se refere foi calculado com base na temperatura registrada na Amaz\u00f4nia e Pantanal no ano de 2024. Ao longo de 40 anos, a m\u00e9dia da temperatura nesses dois biomas foi de 25,6\u00ba e 26,2\u00ba. No ano passado, esses n\u00fameros registraram acr\u00e9scimo de 1,5\u00b0C e 1,8\u00b0C, respectivamente. Essa foi a maior alta registrada em um ano, considerando a m\u00e9dia observada desde 1985. Segundo Luciana, esses dados corroboram a ocorr\u00eancia de eventos extremos, como as queimadas e a seca sem precedentes que atingiram a Amaz\u00f4nia e o Pantanal no ano passado.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o MapBiomas, os dados demonstram que, nos estados mais continentais, como Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Piau\u00ed, a temperatura tamb\u00e9m est\u00e1 subindo mais rapidamente, com taxas entre 0,34\u00baC e 0,40\u00baC por d\u00e9cada. J\u00e1 os estados costeiros tendem a ter menores taxas de aquecimento, como Rio Grande do Norte, Alagoas e Para\u00edba (0,10\u00baC a 0,12\u00baC\/d\u00e9cada). Na regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo, a taxa de aumento \u00e9 de 0,19\u00baC por d\u00e9cada.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Desmatamento e altas temperaturas<\/h2>\n\n\n\n<p>O coordenador-geral do MapBiomas, Tasso Azevedo, afirma que a Amaz\u00f4nia perdeu 52 milh\u00f5es de hectares de \u00e1rea de vegeta\u00e7\u00e3o nativa desde 1985, o que equivale a uma redu\u00e7\u00e3o de 13%.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNo mesmo per\u00edodo, o bioma teve um aumento m\u00e9dio da temperatura em 1,2\u00b0C. Os estudos mais recentes apontam que a perda de florestas modifica as trocas de calor e de vapor d\u2019\u00e1gua com a atmosfera, resultando em temperaturas mais elevadas\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Estudo citado pelo MapBiomas e publicado na Nature Geoscience mostrou que o desmatamento causa 74% da redu\u00e7\u00e3o das chuvas e 16% do aumento da temperatura na Amaz\u00f4nia durante a \u00e9poca seca. Um clima mais seco, por sua vez, favorece a ocorr\u00eancia de fogo, pontua Luciana Rizzo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA polui\u00e7\u00e3o do ar no Norte foi mais intensa do que em \u00e1reas fortemente urbanizadas do Sudeste em 2024. A baixa qualidade do ar em estados amaz\u00f4nicos tem rela\u00e7\u00e3o direta com a fuma\u00e7a dos inc\u00eandios florestais, que ocorrem principalmente na esta\u00e7\u00e3o seca do bioma\u201d, diz a pesquisadora.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2024, choveu 448 mil\u00edmetros (mm) abaixo da m\u00e9dia hist\u00f3rica da Amaz\u00f4nia, ou seja 20% a menos. Em alguns pontos do bioma, a anomalia de precipita\u00e7\u00e3o chegou a uma redu\u00e7\u00e3o de 1000 mm\/ano. A redu\u00e7\u00e3o das chuvas contribuiu para o aumento da \u00e1rea queimada na regi\u00e3o amaz\u00f4nica, que atingiu 15,6 milh\u00f5es de hectares no ano passado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs \u00faltimos tr\u00eas relat\u00f3rios do IPCC [Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7a do Clima]&nbsp; j\u00e1 apontavam estas tend\u00eancias de aquecimento e de altera\u00e7\u00e3o da precipita\u00e7\u00e3o que estamos observando na plataforma\u201d, destaca Paulo Artaxo, professor da USP e integrante do MapBiomas Atmosfera.<\/p>\n\n\n\n<p>As altera\u00e7\u00f5es na m\u00e9dia da temperatura impactam todos os biomas brasileiros. O Pantanal, onde a temperatura subiu 1,9\u00b0C nos \u00faltimos 40 anos, \u00e9 alimentado pelas chuvas na Bacia do Alto Paraguai que, em 2024, registrou chuvas 314 mil\u00edmetros (mm) abaixo da m\u00e9dia &#8211; foram 205 dias sem precipita\u00e7\u00f5es. \u201cA redu\u00e7\u00e3o de precipita\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m tem efeitos importantes, especialmente na Amaz\u00f4nia e no Pantanal\u201d, acrescenta<\/p>\n\n\n\n<p>Artaxo avalia que a plataforma pode auxiliar na preserva\u00e7\u00e3o dos ecossistemas no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 uma nova ferramenta que auxilia o Brasil a implementar pol\u00edticas p\u00fablicas baseadas em evid\u00eancias experimentais e mostra quais seriam as regi\u00f5es mais impactadas pelas mudan\u00e7as do clima e mudan\u00e7a de uso da terra\u201d, ressalta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>CAMILA BOEHM &#8211; REP\u00d3RTER DA AG\u00caNCIA BRASIL<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pantanal e Amaz\u00f4nia tiveram aumento m\u00e9dio de 1,9\u00b0C e 1,2\u00b0C em 40 anos O aumento da temperatura nos biomas do Pantanal e da Amaz\u00f4nia est\u00e1 entre os maiores do pa\u00eds nos \u00faltimos 40 anos, apontam dados divulgados pelo MapBiomas nesta quarta-feira (5). 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