{"id":17444,"date":"2026-11-07T05:40:59","date_gmt":"2026-11-07T09:40:59","guid":{"rendered":"https:\/\/diarionews.com.br\/?p=17444"},"modified":"2026-11-07T05:41:03","modified_gmt":"2026-11-07T09:41:03","slug":"incendios-em-alter-do-chao-se-multiplicam-e-deixam-brigadistas-no-limite","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarionews.com.br\/?p=17444","title":{"rendered":"Inc\u00eandios em Alter do Ch\u00e3o se multiplicam e deixam brigadistas no limite"},"content":{"rendered":"\n<p>Uma sequ\u00eancia de inc\u00eandios florestais est\u00e1 provocando preocupa\u00e7\u00e3o em Alter do Ch\u00e3o, distrito de Santar\u00e9m, no oeste do Par\u00e1. Desde 30 de outubro de 2026, brigadistas, bombeiros, volunt\u00e1rios e ind\u00edgenas do povo Borari enfrentam diferentes focos de fogo na \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (APA) de Alter do Ch\u00e3o. A situa\u00e7\u00e3o ganhou ainda mais gravidade com o surgimento de novas ocorr\u00eancias, mesmo ap\u00f3s o controle das primeiras grandes frentes de inc\u00eandio. O cen\u00e1rio levou o diretor-presidente da Brigada de Inc\u00eandio Florestal de Alter do Ch\u00e3o, Elder St\u00e9fanno, a manifestar publicamente sua preocupa\u00e7\u00e3o com a frequ\u00eancia das queimadas e o esgotamento das equipes.<\/p>\n\n\n\n<p>Em v\u00eddeo publicado nas redes sociais por volta do meio-dia de 6 de novembro, St\u00e9fanno relatou que os brigadistas haviam passado a madrugada combatendo um inc\u00eandio de grandes propor\u00e7\u00f5es na comunidade de Areia Branca e, pouco depois, receberam a informa\u00e7\u00e3o de um novo foco na regi\u00e3o da Capad\u00f3cia, \u00e0s margens do Lago Verde. \u201cN\u00f3s n\u00e3o temos equipe dispon\u00edvel, eu t\u00f4 exausto, os outros brigadistas est\u00e3o exaustos, os guardi\u00f5es est\u00e3o exaustos!\u201d, afirmou. O relato evidencia a press\u00e3o enfrentada pelas equipes, que precisam se deslocar continuamente para impedir que as chamas atinjam \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o, resid\u00eancias e locais de import\u00e2ncia ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro grande inc\u00eandio come\u00e7ou na tarde de 30 de outubro, nas proximidades da Ilha do Amor, e avan\u00e7ou em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s margens do Lago Verde e \u00e0s \u00e1reas de savana nativa. Segundo a reportagem do Conex\u00e3o Planeta, o fogo chegou a formar uma linha de aproximadamente 2,5 quil\u00f4metros. No s\u00e1bado (31), equipes do Corpo de Bombeiros, brigadistas comunit\u00e1rios e ind\u00edgenas Borari receberam refor\u00e7o de aeronaves do governo federal, vinculadas ao Ibama e ao ICMBio. As principais frentes foram controladas at\u00e9 1\u00ba de novembro, mas o trabalho n\u00e3o terminou, pois permaneceram focos subterr\u00e2neos em troncos e ra\u00edzes, capazes de reacender com o calor e o vento.<\/p>\n\n\n\n<p>Na segunda-feira (2), brigadistas e agentes da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA) retornaram \u00e0 \u00e1rea para realizar o rescaldo e a vigil\u00e2ncia. Durante as atividades, novos pontos de calor foram identificados, exigindo a manuten\u00e7\u00e3o das linhas de conten\u00e7\u00e3o. Na quarta-feira (4), outro inc\u00eandio foi registrado nas proximidades da Escola do Campo e da Escola da Floresta, na comunidade de Caranazal, \u00e0s margens da rodovia Dr. Everaldo de Sousa Martins (PA-457). A ocorr\u00eancia foi controlada com apoio do Corpo de Bombeiros, segundo informou Elder St\u00e9fanno.<\/p>\n\n\n\n<p>Na quinta-feira (5), um novo inc\u00eandio de grandes propor\u00e7\u00f5es atingiu as proximidades da comunidade de Areia Branca. A brigada recebeu apoio de Egry Maia, da Associa\u00e7\u00e3o dos Moradores e Amigos do Lago Verde (AMA Lago Verde), que ajudou a identificar a ocorr\u00eancia. As equipes conseguiram conter frentes que avan\u00e7avam em dire\u00e7\u00e3o a resid\u00eancias e ao lago, mas ainda havia diversos pontos ativos. Na madrugada de sexta-feira (6), \u00e0s 4h40, St\u00e9fanno informou que a maior parte das frentes mais intensas havia sido controlada, embora dois pontos ainda precisassem ser repassados a novos agentes do Corpo de Bombeiros.<\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m atingiu a regi\u00e3o da Floresta Encantada, na comunidade de Caranazal, onde integrantes do povo Borari divulgaram imagens mostrando a proximidade das chamas com estruturas utilizadas pela comunidade. Em um dos registros, uma moradora relata que era poss\u00edvel ouvir o barulho intenso do fogo e observar cinzas caindo sobre o deck da \u00e1rea. \u201cAs cinzas est\u00e3o caindo aqui no deck, j\u00e1. As cinzas est\u00e3o voando. O fogo est\u00e1 muito perto\u201d, descreveu. As imagens refor\u00e7aram a preocupa\u00e7\u00e3o com os danos \u00e0 vegeta\u00e7\u00e3o e com os riscos para moradores, visitantes e territ\u00f3rios tradicionais ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da sequ\u00eancia de ocorr\u00eancias, lideran\u00e7as ind\u00edgenas e brigadistas levantaram suspeitas de que parte dos inc\u00eandios possa estar relacionada \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o irregular do solo, \u00e0 grilagem e \u00e0 especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria. Jo\u00e3o Romano, instrutor de brigada conhecido como Johnny Brigadista, afirmou que foram registrados epis\u00f3dios de pessoas empilhando galhos e troncos e ateando fogo na regi\u00e3o. Ele tamb\u00e9m demonstrou preocupa\u00e7\u00e3o com a atua\u00e7\u00e3o das equipes em \u00e1reas de disputa fundi\u00e1ria. \u201cN\u00e3o param de colocar fogo e n\u00e3o encontram os respons\u00e1veis! Espero que, desta vez, isso seja solucionado\u201d, declarou. Durante a opera\u00e7\u00e3o de rescaldo, tamb\u00e9m foram encontradas estacas de poss\u00edveis loteamentos em trechos atingidos. Apesar das den\u00fancias e dos ind\u00edcios relatados, a autoria dos inc\u00eandios ainda n\u00e3o est\u00e1 oficialmente comprovada.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema ganhou dimens\u00e3o institucional. Em 6 de novembro, a Prefeitura de Santar\u00e9m informou que realizou uma reuni\u00e3o de trabalho com representantes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), do Corpo de Bombeiros, da Companhia Ambiental da Pol\u00edcia Militar e da Divis\u00e3o Especializada de Meio Ambiente e Prote\u00e7\u00e3o Animal (Demapa), da Pol\u00edcia Civil. O encontro, realizado no Centro Municipal de Informa\u00e7\u00e3o e Educa\u00e7\u00e3o Ambiental (Ciam), teve como objetivo organizar estrat\u00e9gias conjuntas de combate \u00e0s queimadas, refor\u00e7ar a fiscaliza\u00e7\u00e3o e reunir informa\u00e7\u00f5es para identificar poss\u00edveis respons\u00e1veis. A secret\u00e1ria municipal de Meio Ambiente, V\u00e2nia Portela, afirmou: \u201cEsse trabalho \u00e9 fundamental para que os respons\u00e1veis por queimadas irregulares sejam identificados e respondam por suas condutas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O refor\u00e7o federal tamb\u00e9m \u00e9 fundamental diante da dimens\u00e3o das ocorr\u00eancias no Par\u00e1. Em boletim divulgado em 6 de novembro, com dados consolidados at\u00e9 o dia 5, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama) informou que 185 inc\u00eandios florestais haviam sido extintos no estado e que quatro ocorr\u00eancias permaneciam em combate pelo Prevfogo, sendo duas em Moju\u00ed dos Campos, uma em Santar\u00e9m e uma em Altamira. Ao todo, 542 profissionais estavam mobilizados nas a\u00e7\u00f5es federais, dos quais 362 atuavam no oeste paraense. A estrutura a\u00e9rea na regi\u00e3o contava com 13 aeronaves, que j\u00e1 haviam realizado 357,2 horas de voo e 347 lan\u00e7amentos de \u00e1gua, totalizando 560.160 litros.<\/p>\n\n\n\n<p>Os n\u00fameros da \u00e1rea atingida em Alter do Ch\u00e3o ainda exigem cautela. A reportagem do Conex\u00e3o Planeta menciona aproximadamente 456 hectares para o primeiro inc\u00eandio, atribuindo o dado ao Corpo de Bombeiros do Par\u00e1. Entretanto, outra divulga\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica, publicada pela Folha de S.Paulo em 1\u00ba de novembro, informou cerca de 58 hectares de vegeta\u00e7\u00e3o nativa atingidos. Como os n\u00fameros divergem e n\u00e3o foi localizada uma consolida\u00e7\u00e3o oficial que esclare\u00e7a essa diferen\u00e7a, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel apresentar uma extens\u00e3o total definitiva para todos os inc\u00eandios registrados na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto as autoridades articulam novas medidas de fiscaliza\u00e7\u00e3o e investiga\u00e7\u00e3o, moradores, ind\u00edgenas e brigadistas continuam mobilizados para proteger a vegeta\u00e7\u00e3o nativa, a fauna e as comunidades de Alter do Ch\u00e3o. A sequ\u00eancia de focos de inc\u00eandio, o desgaste das equipes e as suspeitas de queimadas intencionais colocam em evid\u00eancia a necessidade de investiga\u00e7\u00e3o rigorosa, presen\u00e7a permanente do poder p\u00fablico e responsabiliza\u00e7\u00e3o de eventuais autores. Mais do que combater as chamas, o desafio agora \u00e9 impedir que novos inc\u00eandios voltem a amea\u00e7ar um dos territ\u00f3rios ambientais e culturais mais importantes do oeste do Par\u00e1.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma sequ\u00eancia de inc\u00eandios florestais est\u00e1 provocando preocupa\u00e7\u00e3o em Alter do Ch\u00e3o, distrito de Santar\u00e9m, no oeste do Par\u00e1. Desde 30 de outubro de 2026, brigadistas, bombeiros, volunt\u00e1rios e ind\u00edgenas do povo Borari enfrentam diferentes focos de fogo na \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (APA) de Alter do Ch\u00e3o. A situa\u00e7\u00e3o ganhou ainda mais gravidade com [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":17445,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[956],"class_list":["post-17444","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-meio-ambiente","tag-importante"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diarionews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17444","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diarionews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diarionews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarionews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarionews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=17444"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diarionews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17444\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17446,"href":"https:\/\/diarionews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17444\/revisions\/17446"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarionews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/17445"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diarionews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=17444"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diarionews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=17444"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diarionews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=17444"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}