{"id":17347,"date":"2026-11-04T09:54:00","date_gmt":"2026-11-04T13:54:00","guid":{"rendered":"https:\/\/diarionews.com.br\/?p=17347"},"modified":"2026-11-04T06:56:08","modified_gmt":"2026-11-04T10:56:08","slug":"el-nino-pode-ser-um-dos-mais-fortes-da-historia-e-ameacar-o-clima-ate-2027","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarionews.com.br\/?p=17347","title":{"rendered":"El Ni\u00f1o pode ser um dos mais fortes da hist\u00f3ria e amea\u00e7ar o clima at\u00e9 2027"},"content":{"rendered":"\n<p>O fen\u00f4meno El Ni\u00f1o est\u00e1 se intensificando rapidamente e poder\u00e1 figurar entre os epis\u00f3dios mais fortes j\u00e1 registrados desde 1950. O alerta foi refor\u00e7ado por \u00f3rg\u00e3os oficiais de meteorologia e monitoramento clim\u00e1tico, que apontam a continuidade do aquecimento das \u00e1guas do Oceano Pac\u00edfico Equatorial e a possibilidade de impactos sobre o clima brasileiro at\u00e9 o primeiro trimestre de 2027. As proje\u00e7\u00f5es indicam maior risco de chuvas excessivas em algumas regi\u00f5es, estiagens prolongadas em outras e temperaturas acima da m\u00e9dia em grande parte do territ\u00f3rio nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos dados mais recentes foi divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) em 3 de novembro de 2026. Segundo o \u00f3rg\u00e3o, a temperatura da superf\u00edcie do mar na regi\u00e3o Ni\u00f1o 3.4 apresentou anomalia positiva de 2,47 \u00b0C em outubro, o maior valor j\u00e1 registrado para esse m\u00eas na s\u00e9rie hist\u00f3rica. Na regi\u00e3o Ni\u00f1o 3, que possui influ\u00eancia importante sobre as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas da Am\u00e9rica do Sul, a anomalia mensal chegou a 3,56 \u00b0C. Na \u00faltima semana de outubro, o aquecimento semanal alcan\u00e7ou 2,5 \u00b0C na regi\u00e3o Ni\u00f1o 3.4, confirmando a intensidade excepcional do epis\u00f3dio.<\/p>\n\n\n\n<p>O INMET tamb\u00e9m informou que, na regi\u00e3o Ni\u00f1o 1+2, pr\u00f3xima \u00e0 costa do Peru e do Equador, a anomalia semanal chegou a 4,6 \u00b0C na \u00faltima semana de outubro, igualando o maior valor da s\u00e9rie iniciada em 1981. Na regi\u00e3o Ni\u00f1o 3, o aquecimento semanal atingiu 3,7 \u00b0C, estabelecendo um novo recorde. Esses indicadores demonstram a velocidade do aquecimento do Pac\u00edfico e refor\u00e7am a possibilidade de que o atual El Ni\u00f1o esteja entre os eventos mais intensos j\u00e1 observados.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o quinto boletim do Painel El Ni\u00f1o 2026\u20132027, divulgado em 29 de outubro, o fen\u00f4meno dever\u00e1 permanecer ativo pelo menos at\u00e9 o primeiro trimestre de 2027, com intensidade forte a muito forte. Para o trimestre de novembro de 2026 a janeiro de 2027, as proje\u00e7\u00f5es indicam a possibilidade de um epis\u00f3dio muito forte, com anomalias superiores a 2,5 \u00b0C em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e9dia hist\u00f3rica. O documento foi elaborado conjuntamente pelo INMET, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas e Saneamento B\u00e1sico (ANA), Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Servi\u00e7o Geol\u00f3gico do Brasil, Defesa Civil e Censipam.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, os efeitos dever\u00e3o apresentar diferen\u00e7as importantes entre as regi\u00f5es. A previs\u00e3o para novembro, dezembro e janeiro aponta maior probabilidade de chuvas acima da m\u00e9dia na Regi\u00e3o Sul e em partes do Sudeste e do Centro-Oeste. Em contrapartida, grande parte da Regi\u00e3o Norte e \u00e1reas do Nordeste e do Centro-Oeste apresentam tend\u00eancia de precipita\u00e7\u00f5es abaixo da m\u00e9dia. As temperaturas tamb\u00e9m dever\u00e3o permanecer acima dos padr\u00f5es hist\u00f3ricos em quase todo o pa\u00eds, especialmente no Norte. No Rio Grande do Sul, a previs\u00e3o indica temperaturas abaixo da m\u00e9dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Os efeitos da estiagem j\u00e1 aparecem nos indicadores de monitoramento. Dados parciais de outubro do \u00cdndice Integrado de Seca do Cemaden classificaram 68 munic\u00edpios brasileiros em situa\u00e7\u00e3o de seca extrema e outros 232 em seca severa. Em agosto, eram apenas quatro munic\u00edpios na categoria extrema e 153 na severa. A intensifica\u00e7\u00e3o est\u00e1 concentrada principalmente no Nordeste, com destaque para Alagoas, Bahia, Sergipe e Pernambuco. Na Regi\u00e3o Norte, Roraima e Amazonas tamb\u00e9m apresentam agravamento das condi\u00e7\u00f5es de seca.<\/p>\n\n\n\n<p>O cen\u00e1rio tamb\u00e9m preocupa em rela\u00e7\u00e3o aos inc\u00eandios florestais. Segundo o Cemaden, a combina\u00e7\u00e3o de temperaturas elevadas e chuvas abaixo da m\u00e9dia aumenta o potencial de propaga\u00e7\u00e3o do fogo, especialmente na Amaz\u00f4nia Legal. Em outubro, at\u00e9 o dia 23, foram registrados 11.662 eventos de fogo, depois de setembro ter contabilizado 12.659 ocorr\u00eancias. Para o trimestre de novembro a janeiro, o monitoramento apontou 307 munic\u00edpios em alerta alto e outros 464 em situa\u00e7\u00e3o de alerta para risco de fogo, principalmente na Regi\u00e3o Norte.<\/p>\n\n\n\n<p>No setor agropecu\u00e1rio, a irregularidade das chuvas poder\u00e1 dificultar o plantio e o desenvolvimento de lavouras que dependem da precipita\u00e7\u00e3o natural, al\u00e9m de reduzir a disponibilidade de \u00e1gua e pastagens para os rebanhos. O plantio no MATOPIBA, regi\u00e3o que re\u00fane \u00e1reas do Maranh\u00e3o, Tocantins, Piau\u00ed e Bahia, tamb\u00e9m poder\u00e1 sofrer atrasos em decorr\u00eancia da falta de umidade no solo. No Sul, por outro lado, o excesso de chuva e a umidade elevada podem prejudicar opera\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas, especialmente a colheita do trigo e a semeadura da soja no Rio Grande do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o dos recursos h\u00eddricos tamb\u00e9m exige aten\u00e7\u00e3o. O boletim do Cemaden apontou que, em 23 de outubro, os reservat\u00f3rios do Sistema Interligado Nacional estavam com volume equivalente a 65,9% da capacidade. No Nordeste, o \u00edndice era de 45,4%, enquanto 103 a\u00e7udes monitorados pela ANA estavam abaixo de 20% do volume. Na Amaz\u00f4nia, os n\u00edveis dos rios Branco e Negro tamb\u00e9m estavam entre os pontos de preocupa\u00e7\u00e3o, especialmente em Roraima, onde a previs\u00e3o de pouca chuva pode agravar as dificuldades de navega\u00e7\u00e3o e abastecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o Meteorol\u00f3gica Mundial (OMM), ag\u00eancia especializada da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, tamb\u00e9m alertou em setembro para a possibilidade de um El Ni\u00f1o muito forte, com impactos sobre os padr\u00f5es de chuva e temperatura que podem continuar ao longo de 2027. A entidade ressaltou que o fen\u00f4meno aumenta os riscos de enchentes, secas e ondas de calor, mas que a intensidade dos efeitos varia conforme a regi\u00e3o e a intera\u00e7\u00e3o com outras condi\u00e7\u00f5es oce\u00e2nicas e atmosf\u00e9ricas.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante desse cen\u00e1rio, os \u00f3rg\u00e3os brasileiros recomendam o acompanhamento permanente das previs\u00f5es meteorol\u00f3gicas, dos n\u00edveis dos rios e dos alertas da Defesa Civil. Para Mato Grosso e demais \u00e1reas do Centro-Oeste, a aten\u00e7\u00e3o deve se concentrar na distribui\u00e7\u00e3o irregular das chuvas, nas condi\u00e7\u00f5es de umidade do solo e no risco de inc\u00eandios florestais. Embora as proje\u00e7\u00f5es indiquem tend\u00eancias para os pr\u00f3ximos meses, os especialistas destacam que novas atualiza\u00e7\u00f5es ser\u00e3o necess\u00e1rias para determinar a intensidade e a localiza\u00e7\u00e3o dos impactos. O El Ni\u00f1o poder\u00e1 continuar influenciando o clima brasileiro at\u00e9 2027, tornando o monitoramento e a preven\u00e7\u00e3o fundamentais para reduzir os riscos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, \u00e0 agricultura e ao meio ambiente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O fen\u00f4meno El Ni\u00f1o est\u00e1 se intensificando rapidamente e poder\u00e1 figurar entre os epis\u00f3dios mais fortes j\u00e1 registrados desde 1950. 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