{"id":16690,"date":"2026-10-15T14:41:00","date_gmt":"2026-10-15T18:41:00","guid":{"rendered":"https:\/\/diarionews.com.br\/?p=16690"},"modified":"2026-10-15T06:42:46","modified_gmt":"2026-10-15T10:42:46","slug":"alessandra-munduruku-teme-retrocessos-nos-direitos-indigenas-e-alerta-para-riscos-a-constituicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarionews.com.br\/?p=16690","title":{"rendered":"Alessandra Munduruku teme retrocessos nos direitos ind\u00edgenas e alerta para riscos \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p>A lideran\u00e7a ind\u00edgena Alessandra Korap Munduruku manifestou preocupa\u00e7\u00e3o com o futuro dos direitos dos povos origin\u00e1rios no Brasil diante do avan\u00e7o de for\u00e7as pol\u00edticas de direita no Congresso Nacional. Em entrevista publicada pela Rep\u00f3rter Brasil nesta quinta-feira, 15 de outubro de 2026, ela afirmou temer mudan\u00e7as que enfraque\u00e7am as garantias constitucionais e a atua\u00e7\u00e3o do Supremo Tribunal Federal (STF) na prote\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios ind\u00edgenas. \u201cEstou me preocupando com a Constitui\u00e7\u00e3o, porque \u00e9 ela que nos garante sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e um territ\u00f3rio. Se mexerem na Constitui\u00e7\u00e3o, j\u00e1 era para n\u00f3s, povos ind\u00edgenas\u201d, declarou.<\/p>\n\n\n\n<p>Alessandra disputou pela primeira vez uma vaga na C\u00e2mara dos Deputados nas elei\u00e7\u00f5es de 2026, pelo Partido dos Trabalhadores (PT), no Par\u00e1. Embora n\u00e3o tenha sido eleita, recebeu quase 30 mil votos e ficou como suplente. Segundo a reportagem, ela obteve a quarta maior vota\u00e7\u00e3o entre os candidatos do partido no estado, que elegeu dois deputados federais. A lideran\u00e7a recebeu votos em 141 dos 144 munic\u00edpios paraenses, apesar de ter visitado apenas dez cidades durante a campanha.<\/p>\n\n\n\n<p>Conhecida nacional e internacionalmente pela defesa dos territ\u00f3rios ind\u00edgenas e do meio ambiente, Alessandra construiu sua trajet\u00f3ria em mobiliza\u00e7\u00f5es contra o garimpo ilegal, o avan\u00e7o da produ\u00e7\u00e3o de soja e grandes empreendimentos de infraestrutura na Amaz\u00f4nia. Sua atua\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m foi marcada por confrontos com diferentes governos. Durante a gest\u00e3o de Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2022, ela relata ter enfrentado amea\u00e7as e ataques contra comunidades Munduruku. Segundo a lideran\u00e7a, sua casa foi invadida em 2019, enquanto a resid\u00eancia de Maria Leusa Kaba Munduruku, outra representante do povo, foi incendiada em 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao recordar aquele per\u00edodo, Alessandra classificou a experi\u00eancia como um momento de terror para os povos ind\u00edgenas. Ela tamb\u00e9m mencionou a situa\u00e7\u00e3o enfrentada pelos Yanomami e o avan\u00e7o do garimpo ilegal em territ\u00f3rios tradicionais. Agora, sua preocupa\u00e7\u00e3o est\u00e1 voltada \u00e0s propostas que poder\u00e3o avan\u00e7ar no Congresso e \u00e0s consequ\u00eancias de eventuais mudan\u00e7as na legisla\u00e7\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o territorial. \u201cQuem deveria nos proteger era a Constitui\u00e7\u00e3o, o STF, os ministros do STF. Mas at\u00e9 os ministros, infelizmente, a gente corre o risco de perder. Para onde vamos correr?\u201d, questionou.<\/p>\n\n\n\n<p>A lideran\u00e7a tamb\u00e9m critica projetos de minera\u00e7\u00e3o e garimpo em terras ind\u00edgenas, por considerar que essas atividades amea\u00e7am os rios, a floresta e a sa\u00fade das comunidades. Ela destaca os riscos da contamina\u00e7\u00e3o por merc\u00fario utilizado na extra\u00e7\u00e3o ilegal de ouro. A subst\u00e2ncia pode chegar aos cursos d&#8217;\u00e1gua, contaminar peixes e atingir popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e ribeirinhas que dependem desses alimentos. Alessandra relata preocupa\u00e7\u00e3o com problemas de sa\u00fade entre crian\u00e7as Munduruku e defende o fortalecimento da assist\u00eancia sanit\u00e1ria nos territ\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra frente de atua\u00e7\u00e3o envolve a oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 Ferrogr\u00e3o, projeto ferrovi\u00e1rio planejado para transportar gr\u00e3os do norte de Mato Grosso ao sudoeste do Par\u00e1. A iniciativa \u00e9 defendida como alternativa log\u00edstica para o escoamento da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, mas enfrenta cr\u00edticas de lideran\u00e7as ind\u00edgenas e organiza\u00e7\u00f5es socioambientais pelos poss\u00edveis impactos sobre \u00e1reas protegidas e territ\u00f3rios tradicionais. Alessandra avalia que grandes empreendimentos ligados ao agroneg\u00f3cio frequentemente avan\u00e7am sem ouvir adequadamente as comunidades afetadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em janeiro de 2026, ela participou de uma ocupa\u00e7\u00e3o que durou mais de 30 dias no terminal da Cargill, em Santar\u00e9m, no oeste do Par\u00e1. A mobiliza\u00e7\u00e3o protestava contra um decreto do governo Lula relacionado \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o da dragagem do rio Tapaj\u00f3s, medida destinada a permitir a circula\u00e7\u00e3o de embarca\u00e7\u00f5es de maior porte para o transporte de soja. O epis\u00f3dio evidencia que a lideran\u00e7a mant\u00e9m uma postura cr\u00edtica mesmo diante de um governo ao qual se vinculou partidariamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar dos embates com administra\u00e7\u00f5es petistas, Alessandra decidiu concorrer pelo PT para ampliar a participa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena nas decis\u00f5es pol\u00edticas. Ela afirmou \u00e0 Rep\u00f3rter Brasil que n\u00e3o se arrepende de ter ingressado no partido, pois considera necess\u00e1rio ocupar espa\u00e7os institucionais para pressionar os governantes e defender os interesses das comunidades. Na avalia\u00e7\u00e3o da lideran\u00e7a, as pol\u00edticas p\u00fablicas precisam ser constru\u00eddas com a participa\u00e7\u00e3o dos povos ind\u00edgenas, quilombolas, pescadores, professores e demais grupos afetados pelas decis\u00f5es do poder p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>A campanha tamb\u00e9m foi marcada por dificuldades financeiras e pelo apoio de militantes e professores que se identificaram com suas pautas. Segundo os dados do Tribunal Superior Eleitoral mencionados na reportagem, a candidatura recebeu R$ 1 milh\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o nacional do PT, valor que, de acordo com Alessandra, foi utilizado principalmente em comunica\u00e7\u00e3o. Para ela, a experi\u00eancia eleitoral demonstrou a import\u00e2ncia de ampliar a presen\u00e7a de representantes comprometidos com as demandas das comunidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o segundo turno presidencial no horizonte, a lideran\u00e7a tamb\u00e9m manifestou preocupa\u00e7\u00e3o com as condi\u00e7\u00f5es de deslocamento de eleitores ind\u00edgenas que vivem em aldeias distantes dos locais de vota\u00e7\u00e3o. Ela afirma que a falta de recursos e de transporte pode impedir a participa\u00e7\u00e3o de comunidades que precisam percorrer longas dist\u00e2ncias para exercer o direito ao voto. Alessandra defende que os povos origin\u00e1rios tenham condi\u00e7\u00f5es efetivas de participar das elei\u00e7\u00f5es, independentemente do candidato ou partido escolhido.<\/p>\n\n\n\n<p>A trajet\u00f3ria de Alessandra Munduruku evidencia os desafios enfrentados por lideran\u00e7as ind\u00edgenas que buscam conciliar mobiliza\u00e7\u00e3o social, prote\u00e7\u00e3o ambiental e participa\u00e7\u00e3o institucional. Suas declara\u00e7\u00f5es colocam em destaque o debate sobre a preserva\u00e7\u00e3o dos direitos previstos na Constitui\u00e7\u00e3o, a demarca\u00e7\u00e3o de terras, os impactos de grandes projetos econ\u00f4micos e a representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos povos origin\u00e1rios. A preocupa\u00e7\u00e3o central da lideran\u00e7a \u00e9 que eventuais mudan\u00e7as legislativas reduzam as garantias que asseguram aos ind\u00edgenas o direito aos seus territ\u00f3rios, \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e \u00e0 continuidade de seus modos de vida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A lideran\u00e7a ind\u00edgena Alessandra Korap Munduruku manifestou preocupa\u00e7\u00e3o com o futuro dos direitos dos povos origin\u00e1rios no Brasil diante do avan\u00e7o de for\u00e7as pol\u00edticas de direita no Congresso Nacional. 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