{"id":13942,"date":"2026-08-23T13:58:00","date_gmt":"2026-08-23T17:58:00","guid":{"rendered":"https:\/\/diarionews.com.br\/?p=13942"},"modified":"2026-08-24T05:13:13","modified_gmt":"2026-08-24T09:13:13","slug":"cuiaba-concentra-88-dos-moradores-de-favelas-de-mato-grosso-diz-ibge","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarionews.com.br\/?p=13942","title":{"rendered":"Cuiab\u00e1 concentra 88% dos moradores de favelas de Mato Grosso, diz IBGE"},"content":{"rendered":"\n<p>Os n\u00fameros do Censo 2022 divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) escancaram uma realidade que n\u00e3o pode mais ser tratada como simples estat\u00edstica: Cuiab\u00e1 concentra cerca de 88% dos moradores de favelas e comunidades urbanas de Mato Grosso.<\/p>\n\n\n\n<p>Das 81.683 pessoas que vivem nessas \u00e1reas em todo o estado, 72.224 est\u00e3o na Capital. O dado revela uma concentra\u00e7\u00e3o gigantesca de popula\u00e7\u00e3o em territ\u00f3rios que, historicamente, convivem com problemas de infraestrutura, saneamento, mobilidade, habita\u00e7\u00e3o, servi\u00e7os p\u00fablicos e regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>O cen\u00e1rio levanta uma pergunta inc\u00f4moda: como uma cidade que concentra quase nove em cada dez moradores de comunidades urbanas do Estado ainda convive com tamanha desigualdade territorial?<\/p>\n\n\n\n<p>Mato Grosso aparece na 23\u00aa posi\u00e7\u00e3o entre os estados brasileiros em n\u00famero de moradores de favelas e comunidades urbanas. O estado supera Acre, Tocantins, Mato Grosso do Sul e Roraima.<\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o se torna ainda mais preocupante quando os n\u00fameros s\u00e3o distribu\u00eddos entre os munic\u00edpios. Depois de Cuiab\u00e1, aparece V\u00e1rzea Grande, com 8.233 moradores. Sinop registra 610, Rondon\u00f3polis 471 e C\u00e1ceres 145.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja: Cuiab\u00e1 e V\u00e1rzea Grande concentram mais de 80 mil dos 81,6 mil moradores identificados pelo levantamento em Mato Grosso.<\/p>\n\n\n\n<p>Santa Laura lidera ranking<\/p>\n\n\n\n<p>Dentro de Cuiab\u00e1, a desigualdade tamb\u00e9m aparece de forma contundente.<\/p>\n\n\n\n<p>A Regi\u00e3o do Santa Laura lidera entre as comunidades urbanas com maior n\u00famero de moradores, com 8.197 pessoas. Em seguida aparecem a Regi\u00e3o do Parque das \u00c1guas Nascentes, com 7.062, e a Regi\u00e3o do Para\u00edso, com 6.446.<\/p>\n\n\n\n<p>O Jardim Vit\u00f3ria aparece na quarta posi\u00e7\u00e3o, com 5.504 moradores. Depois v\u00eam a Regi\u00e3o do Passaredo, com 4.150, e a Regi\u00e3o do Residencial do Coxip\u00f3, com 4.014.<\/p>\n\n\n\n<p>Somadas, essas seis comunidades re\u00fanem mais de 35 mil pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o milhares de cuiabanos vivendo em \u00e1reas que deveriam estar no centro das pol\u00edticas p\u00fablicas, mas que frequentemente acabam lembradas apenas em per\u00edodos eleitorais.<\/p>\n\n\n\n<p>Quase 20 km\u00b2 de comunidades urbanas<\/p>\n\n\n\n<p>O levantamento do IBGE tamb\u00e9m mostra a dimens\u00e3o territorial do problema.<\/p>\n\n\n\n<p>As favelas e comunidades urbanas ocupam 19,951 km\u00b2 em Mato Grosso. Desse total, Cuiab\u00e1 responde por 17,156 km\u00b2, aproximadamente 86% da \u00e1rea estadual. V\u00e1rzea Grande possui outros 2,540 km\u00b2.<\/p>\n\n\n\n<p>A densidade demogr\u00e1fica dessas localidades chega a 4.104,87 habitantes por km\u00b2, acima da m\u00e9dia do Centro-Oeste, de 3.784,64 habitantes por km\u00b2.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema, portanto, n\u00e3o \u00e9 apenas de quantidade. \u00c9 tamb\u00e9m de concentra\u00e7\u00e3o populacional e press\u00e3o sobre uma infraestrutura que nem sempre acompanha o crescimento das comunidades.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00fameros exp\u00f5em falhas de planejamento<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados do IBGE deveriam funcionar como um alerta direto para o poder p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 razo\u00e1vel que uma parcela t\u00e3o expressiva da popula\u00e7\u00e3o esteja concentrada em comunidades urbanas enquanto quest\u00f5es b\u00e1sicas como saneamento, pavimenta\u00e7\u00e3o, drenagem, transporte p\u00fablico, ilumina\u00e7\u00e3o, equipamentos de sa\u00fade, escolas e regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria continuam sendo desafios recorrentes.<\/p>\n\n\n\n<p>A exist\u00eancia dessas comunidades n\u00e3o pode ser tratada como um fen\u00f4meno inevit\u00e1vel ou como responsabilidade exclusiva dos moradores.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela tamb\u00e9m \u00e9 resultado de d\u00e9cadas de crescimento urbano desordenado, d\u00e9ficit habitacional e pol\u00edticas p\u00fablicas incapazes de acompanhar a expans\u00e3o da cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>E h\u00e1 uma cobran\u00e7a que n\u00e3o pode ser ignorada: onde est\u00e3o os investimentos proporcionais ao tamanho desse problema?<\/p>\n\n\n\n<p>O IBGE deixa os n\u00fameros sobre a mesa. Cabe agora aos gestores p\u00fablicos explicar por que tantas pessoas continuam vivendo em territ\u00f3rios marcados pela vulnerabilidade e quais medidas concretas ser\u00e3o adotadas para mudar essa realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>O instituto destaca que os dados podem subsidiar pol\u00edticas p\u00fablicas nas \u00e1reas de habita\u00e7\u00e3o, saneamento, mobilidade, educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, assist\u00eancia social e regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Na pr\u00e1tica, o levantamento representa muito mais que n\u00fameros.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um retrato da desigualdade urbana de Mato Grosso \u2014 e um alerta de que Cuiab\u00e1 n\u00e3o pode continuar crescendo para alguns enquanto milhares permanecem \u00e0 margem da cidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os n\u00fameros do Censo 2022 divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) escancaram uma realidade que n\u00e3o pode mais ser tratada como simples estat\u00edstica: Cuiab\u00e1 concentra cerca de 88% dos moradores de favelas e comunidades urbanas de Mato Grosso. Das 81.683 pessoas que vivem nessas \u00e1reas em todo o estado, 72.224 est\u00e3o na [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":13943,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[18],"tags":[956],"class_list":["post-13942","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-estaduais","tag-importante"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diarionews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/13942","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diarionews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diarionews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarionews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarionews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=13942"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diarionews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/13942\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13944,"href":"https:\/\/diarionews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/13942\/revisions\/13944"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarionews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/13943"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diarionews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=13942"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diarionews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=13942"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diarionews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=13942"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}