{"id":13460,"date":"2026-08-18T16:31:00","date_gmt":"2026-08-18T20:31:00","guid":{"rendered":"https:\/\/diarionews.com.br\/?p=13460"},"modified":"2026-08-19T04:59:51","modified_gmt":"2026-08-19T08:59:51","slug":"tese-identifica-109-plantas-medicinais-usadas-por-raizeiros-no-nortao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarionews.com.br\/?p=13460","title":{"rendered":"Tese identifica 109 plantas medicinais usadas por raizeiros no Nort\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p>Uma tese de doutorado da Universidade do Vale do Taquari (Univates) identificou 109 esp\u00e9cies de plantas utilizadas com finalidade medicinal por raizeiros e moradores de Alta Floresta e Carlinda, no norte de Mato Grosso. A pesquisa, divulgada pela institui\u00e7\u00e3o nesta segunda-feira (17 de agosto de 2026), reuniu durante tr\u00eas anos informa\u00e7\u00f5es sobre o conhecimento tradicional relacionado \u00e0 flora do sul da Amaz\u00f4nia mato-grossense.<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho foi desenvolvido pela pesquisadora Maria Ilmalucia Teixeira no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ambiente e Desenvolvimento (PPGAD), com orienta\u00e7\u00e3o do professor Eduardo P\u00e9rico e coorienta\u00e7\u00e3o da professora Carla Kauffmann. Ao todo, foram entrevistados dez raizeiros, considerados especialistas tradicionais no uso terap\u00eautico de plantas, al\u00e9m de 300 moradores da regi\u00e3o. A pesquisa combinou entrevistas, observa\u00e7\u00e3o de campo e an\u00e1lises estat\u00edsticas.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira etapa da investiga\u00e7\u00e3o ouviu dez raizeiros de quatro comunidades rurais de Alta Floresta: Nossa Senhora de Guadalupe, Nova Alvorada, Santa L\u00facia e Terra Santa. As entrevistas foram complementadas por caminhadas guiadas pelos pr\u00f3prios participantes, durante as quais as plantas foram fotografadas e posteriormente identificadas e comparadas com bases cient\u00edficas.<\/p>\n\n\n\n<p>Na segunda etapa, a pesquisadora entrevistou 300 moradores, sendo 150 residentes na zona urbana de Alta Floresta e outros 150 moradores da zona rural de Alta Floresta e Carlinda. A coleta dos dados ocorreu entre abril e dezembro de 2022, e o trabalho foi submetido aos procedimentos de \u00e9tica em pesquisa, com aprova\u00e7\u00e3o pelo Comit\u00ea de \u00c9tica da Univates e pelo Conselho Nacional de \u00c9tica em Pesquisa (Conep).<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as esp\u00e9cies mais citadas est\u00e3o assa-peixe, losna, arnica, cal\u00eandula, carqueja, guaco, boldo, erva-cidreira e barbatim\u00e3o. A pesquisa identificou que 38 das 109 esp\u00e9cies registradas j\u00e1 aparecem na lista oficial de plantas de interesse do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS). A maioria das plantas identificadas, 67%, \u00e9 nativa da regi\u00e3o, evidenciando a liga\u00e7\u00e3o entre o conhecimento tradicional e a biodiversidade amaz\u00f4nica.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro resultado destacado pela pesquisa envolve a transmiss\u00e3o desse conhecimento. As mulheres tiveram participa\u00e7\u00e3o expressiva entre os entrevistados e apresentaram maior conhecimento sobre esp\u00e9cies medicinais do que os homens nos grupos analisados. Na \u00e1rea urbana, elas representaram 75% dos entrevistados, enquanto na zona rural corresponderam a 59%.<\/p>\n\n\n\n<p>A compara\u00e7\u00e3o entre moradores urbanos e rurais tamb\u00e9m revelou diferen\u00e7as no conhecimento sobre as plantas. Os moradores rurais citaram mais esp\u00e9cies por comunidade do que os moradores urbanos por bairro, mas a distin\u00e7\u00e3o entre os grupos ocorreu principalmente pelas esp\u00e9cies escolhidas, mostrando que tanto o campo quanto a cidade mant\u00eam conhecimentos pr\u00f3prios relacionados ao uso medicinal da flora local.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos achados que recebeu aten\u00e7\u00e3o especial est\u00e1 relacionado \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica. Mais da metade dos entrevistados das \u00e1reas urbana e rural afirmou n\u00e3o informar aos m\u00e9dicos que utiliza plantas medicinais. A tese aponta que isso pode ocorrer porque algumas pessoas acreditam que o uso n\u00e3o oferece riscos ou porque os profissionais de sa\u00fade n\u00e3o perguntam sobre esse tipo de pr\u00e1tica. A pesquisa ressalta, por\u00e9m, que nem toda planta considerada medicinal \u00e9 necessariamente segura para todos os usos.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo tamb\u00e9m encontrou uma rela\u00e7\u00e3o estatisticamente significativa entre a quantidade de vezes que uma planta foi mencionada pelos raizeiros e o n\u00famero de registros da esp\u00e9cie em herb\u00e1rios cient\u00edficos. Essa rela\u00e7\u00e3o foi ainda mais forte quando consideradas apenas as esp\u00e9cies nativas. Segundo a pesquisa, o resultado indica que os raizeiros tendem a utilizar plantas mais abundantes no ambiente em que vivem, o que pode contribuir para a valoriza\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o local.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a Univates, o conhecimento registrado pela tese possui import\u00e2ncia que ultrapassa a documenta\u00e7\u00e3o cultural. A pesquisa aponta que o levantamento pode servir de base para futuras investiga\u00e7\u00f5es fitoqu\u00edmicas e farmacol\u00f3gicas e contribuir para discuss\u00f5es relacionadas \u00e0 Pol\u00edtica Nacional de Plantas Medicinais e Fitoter\u00e1picos e \u00e0s pr\u00e1ticas integrativas oferecidas pelo SUS.<\/p>\n\n\n\n<p>A tese tamb\u00e9m documentou uma pr\u00e1tica conhecida entre os raizeiros entrevistados como m\u00e9todo \u201cBiodigital\u201d ou M\u00e9todo Bioenerg\u00e9tico de Tratamento Natural, denominado Aramim. A pr\u00e1tica foi registrada como parte dos atendimentos realizados pelos participantes, sem que a divulga\u00e7\u00e3o da universidade a apresente como tratamento m\u00e9dico cientificamente comprovado.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa ganha relev\u00e2ncia regional porque, segundo a Univates, ainda existem poucos estudos sistem\u00e1ticos sobre etnobot\u00e2nica nessa por\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia mato-grossense. Ao concentrar o levantamento em Alta Floresta e Carlinda, o trabalho registra parte do conhecimento tradicional existente na regi\u00e3o e sua rela\u00e7\u00e3o com a biodiversidade, ao mesmo tempo em que aponta a necessidade de preservar esse patrim\u00f4nio cultural e aprofundar a investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica sobre as esp\u00e9cies utilizadas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma tese de doutorado da Universidade do Vale do Taquari (Univates) identificou 109 esp\u00e9cies de plantas utilizadas com finalidade medicinal por raizeiros e moradores de Alta Floresta e Carlinda, no norte de Mato Grosso. 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