{"id":13240,"date":"2026-08-14T06:54:12","date_gmt":"2026-08-14T10:54:12","guid":{"rendered":"https:\/\/diarionews.com.br\/?p=13240"},"modified":"2026-08-14T06:54:14","modified_gmt":"2026-08-14T10:54:14","slug":"acampamento-ernesto-che-guevara-celebra-novo-assentamento-apos-16-anos-de-luta-no-mt","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarionews.com.br\/?p=13240","title":{"rendered":"Acampamento Ernesto Che Guevara celebra novo assentamento ap\u00f3s 16 anos de luta, no MT"},"content":{"rendered":"\n<p>Em tempos de concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria e desigualdade, a conquista do acampamento Ernesto Che Guevara, em assentamento reafirma a Reforma Agr\u00e1ria Popular como uma necessidade hist\u00f3rica para o povo brasileiro. Esse momento tamb\u00e9m marca a comemora\u00e7\u00e3o dos 31 anos do MST no Mato Grosso, que realizou sua primeira ocupa\u00e7\u00e3o em MT em 1995.<\/p>\n\n\n\n<p>E \u00e9 com esse esp\u00edrito da luta pela terra que as fam\u00edlias do acampamento Ernesto Che Guevara celebram um dos momentos mais importantes de sua trajet\u00f3ria, pois no dia 26 de janeiro de 2026 foi decretada a desapropria\u00e7\u00e3o das fazendas Santa Cec\u00edlia I e II no munic\u00edpio de Nova Ol\u00edmpia\/MT.<\/p>\n\n\n\n<p>O an\u00fancio foi feito diretamente no 14\u00ba Encontro Nacional do MST, que reuniu aproximadamente 3 mil militantes de todo o pa\u00eds. Para as fam\u00edlias do acampamento Che Guevara, aquele momento representou muito mais do que o an\u00fancio de um decreto, foi a confirma\u00e7\u00e3o de que nenhuma conquista chega por acaso, pois cada peda\u00e7o de ch\u00e3o conquistado carrega a mem\u00f3ria de quem resistiu, enfrentou as cercas da concentra\u00e7\u00e3o e seguiu acreditando na for\u00e7a da organiza\u00e7\u00e3o coletiva e popular.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/1000401703-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-296956\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Foto: MST MT<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Montado em 2010, o acampamento Che Guevara resistiu ao tempo, \u00e0s incertezas e aos desafios impostos pela demora no processo de desapropria\u00e7\u00e3o. Durante esse per\u00edodo, homens, mulheres, jovens, crian\u00e7as e idosos escolheram permanecer organizados\/as, mesmo quando o horizonte parecia distante.<\/p>\n\n\n\n<p>Ant\u00f4nio Quintino de Campos, coordenador do acampamento, acompanhou essa trajet\u00f3ria desde o in\u00edcio, ele conta que mesmo diante das dificuldades e de momentos em que muitos acreditavam que a conquista n\u00e3o aconteceria, a organiza\u00e7\u00e3o permaneceu firme. \u201cJamais n\u00f3s desistimos\u201d, afirma ao lembrar que a perman\u00eancia na \u00e1rea foi resultado da confian\u00e7a no movimento e da luta.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o companheiro Valdir Alves da coordena\u00e7\u00e3o regional do MST, a desapropria\u00e7\u00e3o representa um marco para toda a regi\u00e3o do m\u00e9dio Norte de Mato Grosso, que ap\u00f3s mais de uma d\u00e9cada sem novas conquistas territoriais, a consolida\u00e7\u00e3o do futuro assentamento fortalece a organiza\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias e renova a esperan\u00e7a e a chama que cria condi\u00e7\u00f5es para que novas \u00e1reas tamb\u00e9m possam ser conquistadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as hist\u00f3rias constru\u00eddas ao longo dessa caminhada est\u00e1 a de Dona No\u00eamia, militante Sem Terra que passou por diferentes acampamentos, enfrentou despejos, viol\u00eancia e d\u00e9cadas de espera sem abandonar o sonho de conquistar a terra. E ao receber a not\u00edcia da desapropria\u00e7\u00e3o, a emo\u00e7\u00e3o tomou conta. Pois depois de tantos anos de luta, a vit\u00f3ria simboliza a possibilidade de plantar, colher, criar a fam\u00edlia e deixar esse patrim\u00f4nio para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es, porque para ela, nunca valeu a pena desistir, pois sabia que a terra conquistada representava a realiza\u00e7\u00e3o de um sonho constru\u00eddo ao lado do companheiro (que infelizmente faleceu pouco antes da conquista) e de tantas outras fam\u00edlias Sem Terra.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Fruto da organiza\u00e7\u00e3o popular e resist\u00eancia<\/h2>\n\n\n\n<p>A desapropria\u00e7\u00e3o das fazendas Santa Cec\u00edlia I e II reafirma que as conquistas da Reforma Agr\u00e1ria s\u00e3o fruto da organiza\u00e7\u00e3o popular, da persist\u00eancia das fam\u00edlias Sem Terra e da capacidade de transformar a luta coletiva em direitos.<\/p>\n\n\n\n<p>Embalado por vit\u00f3rias como essas que o MST de Mato Grosso se prepara para celebrar mais um marco de sua hist\u00f3ria, rumo aos 31 anos do Movimento. A festa ser\u00e1 realizada no dia 14 de agosto, na \u00e1rea do atual acampamento Che Guevara e futuro assentamento, no munic\u00edpio de Nova Ol\u00edmpia, regi\u00e3o m\u00e9dio Norte do Estado. Os 31 anos de hist\u00f3ria, resist\u00eancia e conquistas em Mato Grosso, reafirmam o compromisso das fam\u00edlias do MST com a luta pela terra, pela Reforma Agr\u00e1ria e por um campo com justi\u00e7a social.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/1000401704-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-296957\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Foto: MST MT<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>E se h\u00e1 algo que esses&nbsp;<strong>31 anos nos ensinam \u00e9 que a luta n\u00e3o termina quando a terra \u00e9 conquistada.<\/strong>&nbsp;Pois cada conquista abre caminho para novas lutas, novos sonhos e novas possibilidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo dessa hist\u00f3ria s\u00e3o 47 assentamentos conquistados pelo Movimento Sem Terra no estado, com 180 mil hectares de terra redistribu\u00eddas e mais de 5 mil fam\u00edlias assentadas. O ch\u00e3o conquistado pelas fam\u00edlias Sem Terra carrega a mem\u00f3ria de quem resistiu, de quem n\u00e3o desistiu e de quem acreditou que a terra pode cumprir sua fun\u00e7\u00e3o social e produzir vida.<\/p>\n\n\n\n<p>E assim, entre cercas derrubadas, sonhos cultivados e territ\u00f3rios conquistados, o MST segue escrevendo sua hist\u00f3ria em Mato Grosso. Uma hist\u00f3ria feita por muitas m\u00e3os, muitas vozes e muitas vidas, que ao longo desses 31 anos aprenderam que ningu\u00e9m conquista a terra sozinho e que nenhum direito \u00e9 dado, porque tudo \u00e9 fruto da organiza\u00e7\u00e3o, da resist\u00eancia e da luta coletiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o MST, enquanto houver terra concentrada, haver\u00e1 luta. Enquanto houver fam\u00edlias Sem Terra, haver\u00e1 organiza\u00e7\u00e3o. E enquanto houver esperan\u00e7a de construir um campo com dignidade, justi\u00e7a e soberania, o MST seguir\u00e1 ocupando, resistindo e conquistando o ch\u00e3o, pois s\u00f3 a luta faz valer nossos direitos!<\/p>\n\n\n\n<p><em>Solange Engelmann<\/em> MST<a href=\"https:\/\/web.whatsapp.com\/send?text=https:\/\/mst.org.br\/2026\/08\/13\/acampamento-ernesto-che-guevara-celebra-novo-assentamento-apos-16-anos-de-luta-no-mt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em tempos de concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria e desigualdade, a conquista do acampamento Ernesto Che Guevara, em assentamento reafirma a Reforma Agr\u00e1ria Popular como uma necessidade hist\u00f3rica para o povo brasileiro. Esse momento tamb\u00e9m marca a comemora\u00e7\u00e3o dos 31 anos do MST no Mato Grosso, que realizou sua primeira ocupa\u00e7\u00e3o em MT em 1995. 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