{"id":12529,"date":"2026-07-31T06:20:09","date_gmt":"2026-07-31T10:20:09","guid":{"rendered":"https:\/\/diarionews.com.br\/?p=12529"},"modified":"2026-08-01T11:37:49","modified_gmt":"2026-08-01T15:37:49","slug":"fazenda-de-mt-ligada-a-producao-para-grifes-e-alvo-de-denuncia-por-trabalho-escravo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarionews.com.br\/?p=12529","title":{"rendered":"Fazenda de MT ligada \u00e0 produ\u00e7\u00e3o para grifes \u00e9 alvo de den\u00fancia por trabalho escravo"},"content":{"rendered":"\n<p>Uma fazenda produtora de algod\u00e3o em Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, foi alvo de fiscaliza\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego (MTE) ap\u00f3s auditores identificarem 35 trabalhadores em condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o. A propriedade, chamada Fazenda Reata, pertence ao produtor rural Oscar Luiz Cervi, que foi autuado em junho de 2026. A investiga\u00e7\u00e3o aponta que a produ\u00e7\u00e3o da fazenda tinha rela\u00e7\u00e3o comercial com a multinacional Bunge, que tamb\u00e9m controla a exportadora de algod\u00e3o Viterra, empresa ligada a cadeias de fornecimento que atendem grandes marcas internacionais do setor de moda.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a fiscaliza\u00e7\u00e3o trabalhista, os trabalhadores atuavam no controle manual de plantas daninhas em uma lavoura de algod\u00e3o e estavam alojados em estruturas consideradas inadequadas pelos auditores. O relat\u00f3rio aponta que os funcion\u00e1rios eram mantidos em cont\u00eaineres superlotados, com cerca de 2,40 metros de largura por 6 metros de comprimento, onde nove pessoas permaneciam alojadas, al\u00e9m de relatos sobre vigil\u00e2ncia permanente no local.<\/p>\n\n\n\n<p>A reportagem da Rep\u00f3rter Brasil informou que Oscar Luiz Cervi declarou, em material institucional divulgado pela pr\u00f3pria Bunge em mar\u00e7o de 2026, ser fornecedor da companhia h\u00e1 42 anos e que passaria a comercializar toda a sua produ\u00e7\u00e3o de algod\u00e3o por meio da Viterra. A exportadora, segundo dados analisados pela reportagem, possui rela\u00e7\u00f5es comerciais com ind\u00fastrias t\u00eaxteis internacionais ligadas a marcas como GAP, Lacoste e Levi Strauss &amp; Co., dona da Levi\u2019s.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da den\u00fancia envolvendo a Fazenda Reata, a propriedade possu\u00eda certifica\u00e7\u00f5es relacionadas a boas pr\u00e1ticas socioambientais. A fazenda era vinculada a padr\u00f5es como a Mesa Redonda de Soja Respons\u00e1vel (RTRS) e j\u00e1 havia participado de programas de sustentabilidade ligados ao setor do algod\u00e3o. A Bunge informou que solicitou esclarecimentos ao produtor e afirmou acompanhar o caso, refor\u00e7ando compromisso com direitos humanos, \u00e9tica e sustentabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>As marcas citadas na investiga\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m foram procuradas para esclarecer poss\u00edveis v\u00ednculos com o algod\u00e3o produzido na propriedade. Adidas, Lacoste e Levi Strauss &amp; Co. afirmaram que possuem pol\u00edticas contra trabalho for\u00e7ado e mecanismos de an\u00e1lise de fornecedores, mas disseram n\u00e3o ter identificado, at\u00e9 aquele momento, liga\u00e7\u00e3o direta entre o algod\u00e3o da Fazenda Reata e seus produtos. Especialistas ouvidos pela reportagem destacaram que casos como esse aumentam o debate sobre a responsabilidade das grandes empresas em fiscalizar toda a cadeia produtiva, incluindo fornecedores indiretos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma fazenda produtora de algod\u00e3o em Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, foi alvo de fiscaliza\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego (MTE) ap\u00f3s auditores identificarem 35 trabalhadores em condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o. A propriedade, chamada Fazenda Reata, pertence ao produtor rural Oscar Luiz Cervi, que foi autuado em junho de 2026. 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