{"id":12470,"date":"2026-07-30T06:10:51","date_gmt":"2026-07-30T10:10:51","guid":{"rendered":"https:\/\/diarionews.com.br\/?p=12470"},"modified":"2026-07-30T06:10:52","modified_gmt":"2026-07-30T10:10:52","slug":"doador-de-bolsonaro-e-autuado-por-trabalho-escravo-em-mt","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarionews.com.br\/?p=12470","title":{"rendered":"Doador de Bolsonaro \u00e9 autuado por trabalho escravo em MT"},"content":{"rendered":"\n<p>DESTAQUE\u00a0no notici\u00e1rio ap\u00f3s doar R$ 1 milh\u00e3o para a\u00a0campanha presidencial de Jair Bolsonaro (PL)\u00a0em 2022, o produtor rural Oscar Luiz Cervi foi autuado em fiscaliza\u00e7\u00e3o do MTE (Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego) realizada em junho por manter 35 trabalhadores em condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o na lavoura do algod\u00e3o na Fazenda Reata, em Campo Novo Parecis (MT).<\/p>\n\n\n\n<p>O empres\u00e1rio, apontado como um dos principais produtores de gr\u00e3os do pa\u00eds, \u00e9 fornecedor de gr\u00e3os da Bunge, segundo v\u00eddeo institucional de mar\u00e7o deste ano divulgado pela pr\u00f3pria multinacional americana.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na grava\u00e7\u00e3o, Cervi afirma ser fornecedor da empresa h\u00e1 42 anos. Tamb\u00e9m diz que passaria a vender toda a sua produ\u00e7\u00e3o de algod\u00e3o para a companhia por meio da Viterra,\u00a0multinacional adquirida pela Bunge\u00a0em 2025.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Bunge e Viterra fornecem mat\u00e9rias-primas para o setor de biocombust\u00edveis e fornecedoras de importantes marcas da moda, como Lacoste, Levi\u2019s e GAP.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Informa\u00e7\u00f5es apuradas pela\u00a0Rep\u00f3rter Brasil\u00a0indicam tamb\u00e9m o fornecimento de soja e algod\u00e3o da Fazenda Reata para a unidade da Bunge em Rondon\u00f3polis (MT), um dos maiores complexos industriais da companhia no Brasil (leia mais na mat\u00e9ria: \u201cFazenda com trabalho escravo tem selo de boas pr\u00e1ticas e elo com grifes de luxo\u201d).<\/p>\n\n\n\n<p>O flagrante de trabalho escravo, realizado por auditores fiscais do MTE, com apoio da Pol\u00edcia Federal, ocorreu em 8 de junho. De acordo com informa\u00e7\u00f5es divulgadas pelo \u00f3rg\u00e3o e\u00a0publicadas pela imprensa, o grupo resgatado atuava no controle manual de plantas daninhas na lavoura de algod\u00e3o da propriedade, sem o uso de Equipamentos de Prote\u00e7\u00e3o Individual.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><\/h2>\n\n\n\n<p>A conclus\u00e3o da fiscaliza\u00e7\u00e3o foi de que os trabalhadores estariam submetidos a condi\u00e7\u00f5es degradantes de trabalho e moradia, al\u00e9m de restri\u00e7\u00f5es \u00e0 liberdade de locomo\u00e7\u00e3o \u2013 dois dos quatro elementos que caracterizam o trabalho em condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O auto de infra\u00e7\u00e3o contra o produtor foi lavrado pelos auditores-fiscais no \u00faltimo dia 15 de julho. O fazendeiro pode recorrer da autua\u00e7\u00e3o em duas inst\u00e2ncias administrativas. Caso a atua\u00e7\u00e3o seja confirmada pela pasta, Cervi poder\u00e1 ser inclu\u00eddo na chamada Lista Suja do trabalho escravo, cadastro oficial do governo federal que torna p\u00fablicos os dados de pessoas f\u00edsicas e jur\u00eddicas responsabilizadas pela pr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Os empregadores permanecem na lista por dois anos, mas podem ser retirados antes caso firmem acordo com o MTE e sejam colocados em uma lista de observa\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A\u00a0Rep\u00f3rter Brasil\u00a0procurou a defesa do produtor autuado. \u201cTemos confian\u00e7a na regularidade de nossos procedimentos e reafirmamos nosso compromisso com o cumprimento da legisla\u00e7\u00e3o e das melhores pr\u00e1ticas\u201d, diz nota assinada pelo Grupo Cervi, que tem Oscar Cervi como s\u00f3cio-administrador. \u201cAs informa\u00e7\u00f5es e esclarecimentos ser\u00e3o oportunamente apresentados\u201d, prossegue a nota, sem entrar em detalhes questionados pela reportagem.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 a Bunge afirmou, em nota, ter solicitado informa\u00e7\u00f5es adicionais ao produtor autuado ap\u00f3s tomar conhecimento sobre a \u201csuposta submiss\u00e3o de trabalhadores a condi\u00e7\u00f5es degradantes\u201d na Fazenda Reata. A multinacional, que tamb\u00e9m responde pela Viterra, ressaltou que a propriedade \u00e9 certificada h\u00e1 mais de tr\u00eas anos pela Mesa Redonda de Soja Respons\u00e1vel (RTRS, na sigla em ingl\u00eas), um dos principais padr\u00f5es internacionais de certifica\u00e7\u00e3o de boas pr\u00e1ticas socioambientais no setor da soja. Segundo a companhia, a fazenda recebe visitas de auditoria regularmente.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, a companhia disse seguir acompanhando o caso. \u201cAt\u00e9 que haja conclus\u00e3o sobre a apura\u00e7\u00e3o, a Bunge seguir\u00e1 acompanhando o caso com a devida dilig\u00eancia, reafirmando seu compromisso de respeito aos direitos humanos, \u00e9tica, integridade e sustentabilidade\u201d, respondeu. Leia&nbsp;<a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2026\/07\/integra-respostas-flagrante-trabalho-escravo-fazenda-algodao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">aqui<\/a>&nbsp;o posicionamento completo da Bunge.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Alojamento cercado por grades<\/h2>\n\n\n\n<p>De acordo com a fiscaliza\u00e7\u00e3o, os trabalhadores teriam sido recrutados em Minas Gerais e estavam alojados em cont\u00eaineres de cerca de 2,40 metros de largura por 6 metros de comprimento, que abrigavam nove pessoas, configurando superlota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas frentes de trabalho, n\u00e3o havia instala\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias ou espa\u00e7o para refei\u00e7\u00f5es, segundo o \u00f3rg\u00e3o. Os trabalhadores comiam sentados no ch\u00e3o, \u00e0 sombra do \u00f4nibus que os levava para a lavoura. A fiscaliza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m apontou que os banheiros pr\u00f3ximos aos cont\u00eaineres apresentavam condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias de higiene e conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda de acordo com a fiscaliza\u00e7\u00e3o, os alojamentos estavam instalados em uma \u00e1rea cercada por grades e arame farpado, submetida a vigil\u00e2ncia permanente. Segundo relatos tomados pela fiscaliza\u00e7\u00e3o, um dos vigias da Fazenda Reata teria recebido a orienta\u00e7\u00e3o de n\u00e3o deixar que o grupo se afastasse da \u00e1rea dos containers.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/divulgacao_srte_mt_3-1024x683.jpg\" alt=\"De acordo com a fiscaliza\u00e7\u00e3o, os trabalhadores teriam sido recrutados em Minas Gerais e relataram sinais de intoxica\u00e7\u00e3o por agrot\u00f3xicos usados na lavoura de algod\u00e3o (Foto: SRTE\/MT)\" class=\"wp-image-132111\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">De acordo com a fiscaliza\u00e7\u00e3o, os trabalhadores teriam sido recrutados em Minas Gerais e relataram sinais de intoxica\u00e7\u00e3o por agrot\u00f3xicos usados na lavoura de algod\u00e3o (Foto: SRTE\/MT)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Os trabalhadores s\u00f3 poderiam receber os valores da passagem de volta caso cumprissem 45 dias de trabalho, de acordo com a auditoria fiscal. Para o MTE, esses elementos indicavam restri\u00e7\u00e3o da liberdade de locomo\u00e7\u00e3o dos trabalhadores.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A fiscaliza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m constatou que havia pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea de agrot\u00f3xicos nas mesmas \u00e1reas em que as atividades eram exercidas pelo grupo resgatados e em locais pr\u00f3ximos ao alojamento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ambos os casos configurariam exposi\u00e7\u00e3o dos trabalhadores a condi\u00e7\u00f5es de risco grave, segundo avalia\u00e7\u00e3o dos auditores fiscais. Trabalhadores relataram \u00e0 fiscaliza\u00e7\u00e3o sentirem sintomas compat\u00edveis com intoxica\u00e7\u00e3o aguda por agrot\u00f3xicos, como n\u00e1useas, falta de ar, irrita\u00e7\u00e3o e queimaduras na pele.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda segundo o MTE, representantes da empresa teriam adotado medidas para dificultar o acesso da fiscaliza\u00e7\u00e3o \u00e0s frentes de trabalho, retardando o in\u00edcio da inspe\u00e7\u00e3o trabalhista.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Hist\u00f3rico de infra\u00e7\u00f5es ambientais&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>Um\u00a0levantamento realizado pelo portal The AgriBiz\u00a0classificou Cervi como um dos maiores compradores de terras em 2025, ao lado de grandes empresas do agroneg\u00f3cio, como a SLC Agr\u00edcola.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m das irregularidades trabalhistas identificadas na Fazenda Reata, Cervi tamb\u00e9m tem um hist\u00f3rico de infra\u00e7\u00f5es ambientais em outras \u00e1reas, segundo o MPMT (Minist\u00e9rio P\u00fablico do Mato Grosso).<\/p>\n\n\n\n<p>Em julho de 2025, o Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual moveu uma A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica contra o produtor rural, a Agropecu\u00e1ria Cervi Agro \u2013 empresa na qual ele figura como s\u00f3cio-administrador \u2013 e outros representantes da companhia. O \u00f3rg\u00e3o apontou um d\u00e9ficit de 6,5 mil hectares de vegeta\u00e7\u00e3o nativa na \u00e1rea de Reserva Legal da Fazenda Santa Maria, em S\u00e3o F\u00e9lix do Araguaia, no Mato Grosso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O d\u00e9ficit foi identificado pelo MPMT ap\u00f3s an\u00e1lise dos dados declarados no CAR (Cadastro Ambiental Rural) de propriedades rurais do estado. O registro eletr\u00f4nico, obrigat\u00f3rio para todos os im\u00f3veis rurais do Brasil, \u00e9 autodeclarat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o MPMT, a \u00e1rea, que corresponde a 20% da propriedade, foi \u201cilicitamente desmatada\u201d e \u201cexplorada ilegalmente\u201d por mais de uma d\u00e9cada. De acordo com a an\u00e1lise dos promotores, a utiliza\u00e7\u00e3o da Reserva Legal da fazenda, destinada ao cultivo de soja, teria rendido um lucro total de R$ 91 milh\u00f5es entre 2005 e 2020.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/divulgacao_srte_mt_2-1024x683.jpg\" alt=\"A fiscaliza\u00e7\u00e3o na Fazenda Reata foi realizada no dia 8 de junho por auditores fiscais do Trabalho, com apoio da Pol\u00edcia Federal (Foto: SRTE\/MT)\" class=\"wp-image-132112\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A fiscaliza\u00e7\u00e3o na Fazenda Reata foi realizada no dia 8 de junho por auditores fiscais do Trabalho, com apoio da Pol\u00edcia Federal (Foto: SRTE\/MT)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Na a\u00e7\u00e3o, o \u00f3rg\u00e3o afirma que o \u201cgigantesco passivo ambiental\u201d foi admitido pelos pr\u00f3prios r\u00e9us \u00e0 Secretaria do Meio Ambiente do Mato Grosso em setembro de 2020. Na ocasi\u00e3o, Oscar Cervi, a empresa e seus outros representantes assinaram um termo de compromisso para compensar a \u00e1rea desmatada.<\/p>\n\n\n\n<p>O MP pediu o pagamento de R$ 210,4 milh\u00f5es em multas e indeniza\u00e7\u00f5es a Cervi e aos demais r\u00e9us da a\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de exigir a paralisa\u00e7\u00e3o das atividades na \u00e1rea. Em novembro de 2025, os r\u00e9us firmaram um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) com o MP.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Eles se comprometeram a adquirir \u00e1rea n\u00e3o inferior a 3,2 mil hectares de floresta nativa preservada no bioma amaz\u00f4nico no estado do Mato Grosso e a n\u00e3o efetuar novos desmates na propriedade. Com a assinatura do acordo, a a\u00e7\u00e3o judicial foi extinta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Procurado, o produtor e o Grupo Cervi n\u00e3o comentaram o caso.<br><br>Fonte Rep\u00f3rter Brasil<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/apoie\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DESTAQUE\u00a0no notici\u00e1rio ap\u00f3s doar R$ 1 milh\u00e3o para a\u00a0campanha presidencial de Jair Bolsonaro (PL)\u00a0em 2022, o produtor rural Oscar Luiz Cervi foi autuado em fiscaliza\u00e7\u00e3o do MTE (Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego) realizada em junho por manter 35 trabalhadores em condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o na lavoura do algod\u00e3o na Fazenda Reata, em Campo Novo Parecis [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":12471,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[15,19],"tags":[956],"class_list":["post-12470","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agropecuaria","category-politica","tag-importante"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diarionews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/12470","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diarionews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diarionews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarionews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarionews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=12470"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diarionews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/12470\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12472,"href":"https:\/\/diarionews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/12470\/revisions\/12472"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diarionews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/12471"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diarionews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=12470"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diarionews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=12470"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diarionews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=12470"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}