{"id":1059,"date":"2025-11-17T18:34:53","date_gmt":"2025-11-17T22:34:53","guid":{"rendered":"https:\/\/diarionews.com.br\/?p=1059"},"modified":"2025-11-17T18:54:11","modified_gmt":"2025-11-17T22:54:11","slug":"empresarios-veem-com-expectativa-mudancas-no-vale-alimentacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diarionews.com.br\/?p=1059","title":{"rendered":"Empres\u00e1rios veem com expectativa mudan\u00e7as no vale-alimenta\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Pequenos e m\u00e9dios empres\u00e1rios do setor de alimenta\u00e7\u00e3o receberam com expectativa e cautela o decreto que moderniza o Programa de Alimenta\u00e7\u00e3o do Trabalhador (PAT), assinado esta semana pelo presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva. A medida limita as taxas cobradas pelas operadoras de vale-alimenta\u00e7\u00e3o e refei\u00e7\u00e3o, prev\u00ea interoperabilidade entre bandeiras e amplia a concorr\u00eancia no setor.<\/p>\n\n\n\n<p>A Ag\u00eancia Brasil ouviu respons\u00e1veis por quatro estabelecimentos do Rio de Janeiro, onde a maior parte das vendas \u00e9 feita por meio de t\u00edquetes-refei\u00e7\u00e3o. As taxas pagas hoje pelos comerciantes variam de 3,5% a 9%, de acordo com a operadora.<\/p>\n\n\n\n<p>A maioria dos entrevistados disse n\u00e3o conhecer o decreto, mas avaliou que a medida pode representar redu\u00e7\u00e3o de custos e maior liberdade de escolha nas bandeiras aceitas. Ainda assim, parte dos empres\u00e1rios se mostra c\u00e9tica quanto aos resultados imediatos, temendo que as operadoras busquem compensar a limita\u00e7\u00e3o de taxas com a cria\u00e7\u00e3o ou o aumento de outros tipos de cobran\u00e7a, como a taxa de antecipa\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito, considerada essencial para neg\u00f3cios de margem reduzida.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Custos e expectativas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><br>No Sol Gastronomia, na Lapa, o empres\u00e1rio Edm\u00edlson Martins Rocha paga cerca de 6% de taxa sobre as vendas com vale-refei\u00e7\u00e3o. Ele oferece desconto de 5% para clientes que pagam em dinheiro ou Pix. Para ele, a redu\u00e7\u00e3o das taxas pode ser positiva, desde que efetiva. &#8220;Se a gente pagar menos \u00e9 bem melhor, n\u00e9? A\u00ed, pode diminuir o pre\u00e7o da comida. Bom para o cliente \u00e9 bom para a gente. Aqui a maioria paga com vale-refei\u00e7\u00e3o. Uma taxa grande, a\u00ed prejudica [o restaurante]&#8221;, explica Rocha.<\/p>\n\n\n\n<p>A doceria Gulosinho, de Weksson Ara\u00fajo, funciona h\u00e1 11 meses e aderiu a apenas tr\u00eas bandeiras, por considerar as demais muito onerosas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Tem uma bandeira que a gente nem pegou porque, al\u00e9m de a taxa ser alta, cobra uma taxa de ades\u00e3o que a gente paga para poder receber daquela bandeira. Tanto que a gente n\u00e3o aderiu a todas, a gente aderiu somente a tr\u00eas bandeiras mais populares&#8221;, conta Ara\u00fajo.O empres\u00e1rio destaca que trabalha com insumos de pre\u00e7os vol\u00e1teis, como o chocolate, que tem subido constantemente. \u201cQualquer tipo de redu\u00e7\u00e3o, independentemente do que seja, pra a gente aceitar seria excelente, porque conseguiria pelo menos dar uma remanejada no valor que temos gastado&#8221;, reconheceu.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Padaria Arauc\u00e1ria, no centro do Rio, o propriet\u00e1rio S\u00e9rvulo J\u00fanior emprega 40 pessoas e relata pagar taxas entre 3,5% e 9%. Ele considera a iniciativa promissora, mas ressalta que ainda \u00e9 cedo para avaliar os efeitos.\u201cA redu\u00e7\u00e3o at\u00e9 3,6% e a entrada de novos players s\u00e3o maravilhosas. Vamos ver se vai ser isso mesmo. Se pagar 2,8%, j\u00e1 seria excelente\u201d, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o empres\u00e1rio Nei Raimundo Duarte, dono do Restaurante Sal\u00fa, tamb\u00e9m na Lapa, mant\u00e9m postura mais c\u00e9tica. Ele afirma que os contratos com operadoras \u201cmudam as taxas ao longo do tempo\u201d e critica o que chama de \u201cfalta de transpar\u00eancia\u201d nas cobran\u00e7as. Antes da pandemia, 75% das vendas eram em dinheiro. Hoje, \u00e9 o contr\u00e1rio. &#8220;Ent\u00e3o, \u00e9 o seu faturamento, menos 7% todo m\u00eas\u201d, relatou.<\/p>\n\n\n\n<p>Nenhum dos entrevistados pretende reduzir pre\u00e7os ao consumidor com base no decreto. Eles afirmam que, se houver economia, o valor ser\u00e1 destinado a formar reserva de emerg\u00eancia ou amortizar d\u00edvidas, diante da instabilidade dos custos de insumos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Setor dividido<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><br>A Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Empresas de Benef\u00edcios ao Trabalhador (ABBT), que re\u00fane as principais operadoras do setor, como Alelo, Pluxee, Ticket e VR, criticou o decreto. Em nota, a entidade afirmou que o novo modelo \u201cdeve enfraquecer a fiscaliza\u00e7\u00e3o e favorecer o desvio de finalidade da verba alimentar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a ABBT, a limita\u00e7\u00e3o das taxas \u201cinibe a competitividade\u201d e imp\u00f5e \u201cprazos inexequ\u00edveis\u201d para adapta\u00e7\u00e3o dos contratos. A associa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m questiona a falta de estudos que comprovem repasse de benef\u00edcios ao consumidor final.<\/p>\n\n\n\n<p>Em sentido oposto, a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Supermercados (Abras) elogiou as mudan\u00e7as, afirmando que o decreto \u201cd\u00e1 novo f\u00f4lego\u201d ao PAT. O presidente da entidade, Jo\u00e3o Galassi, destacou que atualmente \u201ch\u00e1 17 tipos de taxas e tarifas\u201d cobradas das empresas, o que encarece o sistema. \u201cCom o novo decreto, teremos mais previsibilidade e menos intermedia\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>A Abras tamb\u00e9m avalia que a nova regulamenta\u00e7\u00e3o pode estimular a concorr\u00eancia e reduzir a concentra\u00e7\u00e3o de mercado entre as operadoras.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Perspectivas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><br>Com a moderniza\u00e7\u00e3o do PAT, o governo pretende garantir mais transpar\u00eancia e competitividade no sistema de vales alimenta\u00e7\u00e3o e refei\u00e7\u00e3o. A expectativa \u00e9 que o teto de 3,5% nas taxas de desconto e a interoperabilidade das bandeiras permitam que estabelecimentos e trabalhadores tenham mais op\u00e7\u00f5es e custos menores nas transa\u00e7\u00f5es.O novo modelo poder\u00e1 gerar economia anual de at\u00e9 R$ 7,9 bilh\u00f5es, segundo c\u00e1lculo divulgado nessa quarta-feira (12) pela Secretaria de Reformas Econ\u00f4micas (SRE) do Minist\u00e9rio da Fazenda.<\/p>\n\n\n\n<p>A pasta estima que a economia m\u00e9dia pode chegar a R$ 225 por trabalhador ao ano, com a redu\u00e7\u00e3o de custos e maior competitividade entre as empresas operadoras dos benef\u00edcios. A economia iria para supermercados, bares e restaurantes, mas o governo espera que os custos menores sejam repassados aos consumidores.<\/p>\n\n\n\n<p>Principal promessa para liberalizar o mercado de vale-refei\u00e7\u00e3o e vale-alimenta\u00e7\u00e3o, a interoperabilidade das bandeiras tem um ano para entrar em vigor. As redes t\u00eam esse prazo para adaptar os sistemas a fim de que o cart\u00e3o seja aceito em qualquer estabelecimento, independentemente da bandeira.<\/p>\n\n\n\n<p>Estad\u00e3o Conte\u00fado<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pequenos e m\u00e9dios empres\u00e1rios do setor de alimenta\u00e7\u00e3o receberam com expectativa e cautela o decreto que moderniza o Programa de Alimenta\u00e7\u00e3o do Trabalhador (PAT), assinado esta semana pelo presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva. 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