Protesto do Povo Munduruku Bloqueia Entrada da Blue Zone na COP30 em Belém e Exige Reunião com Lula

Na manhã desta sexta-feira, 14, membros do povo indígena Munduruku realizaram um protesto pacífico e bloquearam a entrada da Blue Zone da COP30, em Belém (PA). A Blue Zone é uma área restrita do evento, acessível apenas a pessoas credenciadas. Os indígenas exigem uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e criticam a ausência de representantes de povos originários nas discussões que afetam diretamente suas comunidades.

A líder indígena Alessandra Munduruku, em entrevista à imprensa durante a manifestação, destacou a gravidade da situação e a necessidade de ser ouvida. “Ninguém entra e ninguém sai. Porque ninguém vai para brincar. Ninguém vai para rir. Ninguém vai tirar selfie, não. Porque é o nosso corpo que está lá, a negociação que está acontecendo aqui”, afirmou Alessandra, enfatizando o impacto das decisões que estão sendo tomadas sem a participação direta de quem realmente sofre as consequências.

A líder também fez duras críticas ao uso da imagem dos povos indígenas em discursos sobre sustentabilidade. “Já chega de usar a nossa imagem para dizer que é sustentável, de bioeconomia que está matando a nossa floresta. Já chega de usar a nossa imagem para dizer que nós estamos bem, porque nós não temos saúde na nossa aldeia, não tem educação, nosso rio está contaminado com mercúrio por conta do garimpo”, disse, cobrando ações concretas para garantir a sobrevivência e os direitos de seu povo.

Alessandra também denunciou os impactos das políticas de desenvolvimento implementadas pelo Estado. “O Estado está matando a floresta, destruindo para colocar ferrovia, hidrovia, porto, para essas empresas internacionais chegarem”, afirmou, reforçando o pedido de uma reunião com o presidente Lula para discutir essas questões.

O protesto teve início por volta das 5h30 da manhã, e, desde então, os indígenas permanecem sentados na entrada da Blue Zone, impedindo a passagem de pessoas. As negociações para desbloquear o acesso estão sendo conduzidas por autoridades do governo, enquanto o local continua cercado por agentes da Força Nacional e da Polícia Federal.

Até o momento, o bloqueio segue, e o futuro da manifestação dependerá do atendimento das demandas do povo Munduruku, que exige ser ouvido nas discussões sobre os temas que impactam diretamente suas terras e suas vidas.

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