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Esquema de grampos em Mato Grosso envolve dinheiro, poder e sexo

Taques acuado

Em uma longa reportagem, o jornal El País destaca as investigações sobre o escândalo das interceptações clandestinas que atingem em cheio a gestão do governador do Mato Grosso, Pedro Taques (PSDB). A estimativa é que entre janeiro de 2014 e setembro deste ano cerca de 70 mil interceptações telefônicas de adversários políticos, jornalistas e até mesmo do vice-governador Carlos Fávaro (PP) estejam sob suspeita.

“A narrativa em torno dos grampos clandestinos investigados nos últimos seis meses é típica de uma trama cinematográfica. Envolve dinheiro, poder e sexo. Até agora, o principal suspeito de ser o mandante das interceptações é Paulo Taques, primo do governador Pedro Taques e que foi seu secretário da Casa Civil. Hoje, Paulo está preso juntamente com outras nove pessoas sob a suspeita de tentar obstruir as investigações”, destaca a reportagem.

“As apurações mostram que Paulo pagou 50.000 reais a um policial para que ele comprasse um equipamento de gravação de ligações telefônicas. O advogado também seria o responsável por alugar a central da “grampolândia”, um escritório em um prédio comercial Cuiabá de onde parte dos policiais militares faziam as interceptações ilegais, batizadas de “barriga de aluguel”. Seus alvos eram políticos, advogados e um jornalista. “Barriga de aluguel” é quando são inseridos em uma investigação os nomes de suspeitos que não têm nada a ver com o fato investigado”, explica o texto.

“Até agora, o escândalo, que só foi noticiado em maio deste ano e gerou as primeiras prisões em junho, não derrubou Taques do cargo. Mas o enfraquece ao ponto de colocar em dúvida se ele conseguirá concluir o seu mandato, previsto para terminar em dezembro de 2018”, diz a matéria.

A matéria do “El País” pode ser acessada no seguinte endereço: https://brasil.elpais.com/brasil/2017/10/23/politica/1508789581_626458.html.

Logo no preambulo da publicação, o jornalista Afonso Benites cita a “paranoia” pela qual passa o estado de Mato Grosso. “Nos últimos meses, Mato Grosso vive uma espécie de paranoia política. Basta um avião da Polícia Federal pousar em Cuiabá para dezenas de autoridades, jornalistas e blogueiros locais começarem a discutir quem será o próximo preso”, afirma a publicação.

A reportagem cita também a incomoda situação do Governador Pedro Taques. “Ex-procurador conhecido por prender barões do crime, hoje Taques é alvo de investigações para saber se ele mesmo não seria autor de um esquema que grampeou a cúpula de poder do Mato Grosso”.

Um dos possíveis “alvos de Taques”, seria o próprio vice governador Carlos Fávaro. A reportagem traz à tona um fato até então desconhecido da maioria da imprensa mato-grossense, preocupado com os rumos da grampolândia, o vice-governador Carlos Fávaro, temendo ser um dos alvos do esquema, “contratou um hacker para monitorar possíveis invasões aos computadores de seu gabinete. Meses depois, descobriu que esse profissional de contra-inteligência havia sido interceptado ilegalmente por policiais militares. Agora, suspeita-se que o próprio vice também tenha sido grampeado”, afirma.

Pelos cálculos de fontes do Judiciário, o esquema de escutas clandestinas coloca sob suspeita cerca de 70.000 interceptações telefônicas ocorridas entre janeiro de 2014 a setembro de 2017. (da Redação com El País e 247)

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