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Empresário afirma que alertou Pedro Taques sobre “esquemas” na Seduc

Taques e Alan Malouf2Com Circuito MT

O empresário Alan Malouf, sócio do buffet Leila Malouf, confirmou ter participado de esquema de fraude a licitações e cobrança de propina a empreiteiros que tinham contrato com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc), entre os anos de 2015 e 2016.

Em depoimento a juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital, na tarde desta quinta-feira (8), Alan, além de assumir o recebimento de R$ 260 mil no esquema, revelou que o governador Pedro Taques (PSDB) foi avisado por ele sobre as irregularidades existentes na Pasta. No mesmo depoimento o empresário afirmou que o governador Pedro Taques sabia da existência de “caixa 2” em sua campanha.

Segundo Alan, ele procurou o governador assim que a operação foi deflagrada, em maio de 2016.

“Eu passei uma mensagem ao próprio governador. Ele disse que estava em Brasília e que era pra eu passar no Palácio às 8h noite. Lá eu o falei que Giovani foi um dos doadores da campanha e tinha sido preso fazendo isso [arrecadando dinheiro]. O governador falou para eu me acalmar que ele iria resolver”, disse.

No encontro, segundo o empresário, estava o ex-secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Taques e o governador.

A declaração ratificou o depoimento prestado ao Gaeco em dezembro do ano passado, quando foi preso na deflagração da 3ª fase da Operação Rêmora, denominada Grão Vizir.

No depoimento, Alan disse que na reunião com Paulo e Pedro ele disse ter recebido dinheiro do esquema que estava sendo descoberto e que os dois disseram que dariam um jeito para resolver o problema.

“Quando Permínio [ex-secretário da Seduc] foi preso eu o alertei de novo, ele pediu para que eu ficasse tranquilo, que iria dar um jeito de soltá-lo, depois eu fui preso”, contou.

Na ação, Alan é apontado como um dos líderes do esquema e se beneficiou diretamente com a propina arrecadada no esquema.

Dívida não declarada

De acordo com o empresário, ele aceitou participar do esquema a convite do também empresário – e delator da operação -, Giovani Guizardi, para saudar um valor pago por ele para saudar uma dívida de campanha do governador Pedro Taques (PSDB) não declarada.

“Em Março de 2015, o Guizardi pediu para que eu o apresentasse ao Permínio [ex-secretário da Seduc]. Falei tudo bem. No segundo momento, o Guizardi me convidou a participar [do esquema], mas eu neguei. Mas, na segunda ou terceira vez, nós acertamos de participar do esquema”, disse em juízo, garantindo que nunca participou de reunião com empresários para fraudar licitações na Pasta.

“Nunca estive e nem participei com os empresários. Fui beneficiado com o esquema”, afirmou.

Alan declarou que realizou uma doação de campanha no valor de R$ 2 milhões, mas que nunca cobrou qualquer participação no Governo. O empresário ainda disse que se arrepende de ter participado do esquema.

“No final da campanha [de Taques] tinha um valor a ser pago ainda. Eu participei do rateio para pagar obviamente com o conhecimento do governador. À pedido do próprio governador”, declarou, garantindo que Taques tinha conhecimento da existencia de “Caixa 2” em sua campanha.

Participação

Durante o depoimento, Alan também citou outros nomes que se beneficiaram com o esquema na Seduc, como o deputado federal Nilson Leitão (PSDB).

De acordo com Alan, a participação de Leitão foi revelada pelo delator da Operação Rêmora, o empresário Giovani Guizardi, apontado como operador do suposto esquema.

“Sei, pois o Giovanni me disse. Nunca tive contato com o Nilson Leitão”, pontuou.

“Eu não posso afirmar sobre os percentuais, nem divisão [do dinheiro]. Sei do que recebi Eu recebi 260 mil. Nunca vi nenhuma planilha. Só sei que tinham outras pessoas que recebia”, pontuou.

A Operação

A denúncia derivada da 1ª fase da Operação Rêmora foi aceita pelo juiz Bruno D’Oliveira Marques, substituto da Vara Contra o Crime Organizado da Capital, em maio deste ano. O Gaeco apontou crimes de constituição de organização criminosa, formação de cartel, corrupção passiva e fraude a licitação.

Na 1ª fase, foram presos o empresário Giovani Guizardi; os ex-servidores públicos Fábio Frigeri e Wander Luiz; e o servidor afastado Moisés Dias da Silva. Apenas Frigeri continua preso.

Nesta fase, são réus na ação penal: Giovani Belato Guizardi, Luiz Fernando da Costa Rondon, Leonardo Guimarães Rodrigues, Moises Feltrin, Joel de Barros Fagundes Filho, Esper Haddad Neto, Jose Eduardo Nascimento da Silva, Luiz Carlos Ioris, Celso Cunha Ferraz, Clarice Maria da Rocha, Eder Alberto Francisco Meciano, Dilermano Sergio Chaves, Flavio Geraldo de Azevedo, Julio Hirochi Yamamoto filho, Sylvio Piva, Mário Lourenço Salem, Leonardo Botelho Leite, Benedito Sérgio Assunção Santos, Alexandre da Costa Rondon, Wander Luiz dos Reis, Fábio Frigeri e Moisés Dias da Silva.

Em julho, o Gaeco deflagrou a 2ª fase da operação, prendendo o ex-secretário da Seduc, Permínio Pinto. Posteriormente ele foi denunciado junto com o ex-servidor Juliano Haddad.

A Rêmora 3 foi deflagrada em dezembro, após a delação premiada firmada pelo empresário Giovani Guizardi. Denominada “Grão Vizir”, a operação culminou na prisão preventivamente do empresário Alan Malouf, sócio do Buffet Leila Malouf, apontado pelo delator como doador de R$ 10 milhões para a campanha de Pedro Taques no governo e tentado recuperar os valores por meio do esquema.

A terceira fase resultou em outras duas denúncias. Uma tendo como alvos o próprio Alan Malouf, considerado um dos líderes do esquema, e o engenheiro Edézio Ferreira.

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